quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Anjos Em Terra


Anjos Em Terra

Internado este mês de Agosto de 2011 no serviço de ortopedia B do hospital Curry Cabral para uma intervenção cirúrgica, fui objecto e sou testemunha, do profissionalismo e dedicação da maioria do seu pessoal – médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar -- em todas as suas especialidades.
Deixo porém aqui uma palavra de especial apreço à Sra. enfermeira Anabela, por a entender uma mulher bonita, pessoa de um carácter muito especial, atenta, solícita e sempre pronta a ajudar – enfermeira por vocação.
Vou reter na memória das coisas boas a visão idílica e fugidia do anjo da guarda, na pessoa da enfermeira Gracy quando na sua apresentação matinal, me acordou de um sono profundo. Foi tão bom acordar assim estremunhado, com aquela angélica visão, que até dá vontade de estar doente.
Ao abrir os olhos, contemplei aquela beleza personificada e pensei por momentos, que estava no céu, assistido pela chefe dos anjos.
Obrigado também a uma enfermeira cujo nome não fixei, séria, «durona», que – sendo muito eficiente – daria também um bom sargento do exército, com aquela sua expressão grave, e grossa voz de comando.
Dinâmica, afectuosa e eficiente é também a D. Carla - aquele majestoso mulherão -- que é secretária administrativa, ao que me parece.
Simpático aquele enfermeiro Rodrigo!
Embora com muito poucos contactos comigo, pareceu-me muito simpático também, aquele Sr. Francisco – penso chamar-se assim, o senhor -- sendo porém do antigo testamento a sua relação com a matemática, ou seja, do tempo em que 6x 8 são 24 e vão 2.
Precisa de ter algum cuidado, porque quando necessitar de administrar algum medicamento fraccionado – com as regras da matemática moderna - as coisas podem complicar-se mais. Estou a brincar, evidentemente!...
Expresso também o gosto pela confecção alimentar – de muito boa qualidade.
Não, não fiquei surpreendido pela boa qualidade dos serviços prestados, apenas confirmei a opinião que há muito tinha formado.
Esta é já a minha segunda experiência de internamento em hospitais públicos de Lisboa, pois já havia sido internado para outra cirurgia, durante dez dias, nos hospitais de S. José e dos Capuchos em Outubro de 2010.
Também dessa vez fui tratado zelosamente por todos os profissionais de saúde que intervieram na minha estadia e no meu tratamento.
Eu porém não cumpri na ocasião o meu dever de registar a gratidão de que lhes fiquei devedor. Penitencio-me por isso.
Embora muito tarde – mas, tarde é o que nunca vem – deixo-lhes agora também, penhorado, o testemunho público do meu reconhecimento.
Como nota final, e como não há bela sem «se não», digo que me pareceu menos bem o anúncio verbal e presencial em cada sala, da missa dominical -- por poder deixar as pessoas algo embaraçadas e dar um certo ar de proselitismo.
Parecer-me-ia melhor que o anúncio de serviços religiosos fosse afixado por escrito à porta das salas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Eu e a Dúvida

Um pouco em resposta a uma pessoa que, comentando um texto meu, se admirava da minha ingenuidade por ainda acreditar nisto ou naquilo, mas também para melhor compreensão das razões que me levam a escrever de determinada maneira, vou tentar dar uma resposta que possa esclarecer melhor as razões desta maneira de escrever.
Penso que quando se escreve sobre qualquer assunto, deve ser dada ao leitor a oportunidade de o analisar sob perspectivas diferentes das usuais, ou seja, diferentes das que estiverem na moda – sim, porque a escrita também é de modas.
Sou ainda do parecer de que não vale a pena falar daquilo que nos parece estar bem, pois não reclama mudança, quando muito, só aperfeiçoamento.
Do mesmo modo, não me parece que valha a pena falar daquilo que toda a gente fala.
Por outro lado, parece-me também que deve ser dado ao tema em apreço, o maior ênfase possível, para despertar no leitor a exploração de perspectivas.
São essas e não outras, as razões que me levam a tentar ser polémico.
O recurso à ironia – tal como a utilização exagerada de adjectivos – serve só para enfatizar a exposição das ideias.
Evidentemente isto faz correr o «risco» de se poder ver quem escreve, como alguém carregado de recalcamentos.
Como uma eterna criança, sempre caminhei sobre dúvidas que nunca verei esclarecidas, porém quanto a recalcamentos, na minha idade, já estão eles próprios bem recalcados.
No entanto se se quer ser polémico, deve-se ser alheio ao «risco», e ter presente que cada leitor pode e deve ser livre na sua apreciação.
Se quero polemizar, posso, e eventualmente até devo, falar de um assunto, de forma absolutamente contrária ao meu próprio sentimento.
Sim, eu sou «geneticamente» amante da controvérsia, e nunca pretendo ser dono da razão – por isso gosto, mas gosto mesmo, de ser criticado.
Deixem-me porém que reforce com alguns exemplos a argumentação acima referida:

1.Acho que tem sido consensual a consideração da bondade da acção dos presidentes da república.
Eu porém – nunca tendo percebido qual a utilidade dessas figuras – parece-me que teríamos vivido melhor numa república anárquica, sem presidências.
Não vejo onde é que há mais valia para a república, o facto de ela ter uma presidência, tanto mais que me parece que os presidentes têm sido todos iguais, na sua acção (nula).

2.Muito menos percebo ainda, porque é que na democrática assembleia da república, estão representadas as forças da extrema-esquerda, enquanto não dão representação às da extrema-direita, deixando-as fazer-se ouvir, e esvaziando assim as tensões que eventualmente possam criar no seu interior.

3.Como não percebo também porque não há-de estar representada a causa monárquica, ou quaisquer outras ideologias.


 Será que não se percebe que ao limitar a democracia, estão a deixar na marginalidade – com as respectivas consequências, e que podem ser graves – as forças não representadas?  Atenção, «não há machado que corte a raiz ao pensamento»!
Estas, são algumas das muitas, muitas questões, que não vejo normalmente reflectidas na imprensa, mas, porque assaltam o meu espírito, gosto de pôr à consideração dos leitores.
Diga-se no entanto que o meu exercício de escrita é puro entretenimento.     


Zé Macário
1/08/2011
Se o Ridículo Matasse

Ah, se o ridículo matasse!...
Depois de várias décadas a passar certidões de óbito à agricultura e às pescas, vêm agora os mesmos políticos exortar-nos ao desenvolvimento agrícola e à exploração do mar.
Mesmo quando agricultores e pescadores foram base e sustentáculo do país, sempre foram ignorados e até maltratados pelo poder político, à excepção dos períodos eleitorais, em que este ia até eles, para encher a pança e caçar votos, a troco de «sacos» de vãs promessas.
O país rural, que foi celeiro de Portugal, e um lindo canteiro à beira mar plantado, é hoje simples lixeira ou viveiro de silvas e tojos – óptimo pasto para incêndios.
Que saudades das viagens de comboio pelo país inteiro, apreciando as suas magníficas paisagens!...
Como foi possível que assim se destratasse este belo canteiro?...
O que é que legamos de tudo isto a quem nos sucede?...
Entretanto a ecologia e o ambiente estão na ordem do dia, e todos os anos, no dia do ambiente, as criancinhas das escolas – acompanhadas pelas televisões e por um político qualquer, vestido de fato e gravata – vão plantar um carvalhinho, para se lhes ensinar o amor à natureza.
Oh que magnífica acção!... Como isto vai transformar Portugal!...
As câmaras das grandes cidades já distribuem talhões de terra, para entreter os velhinhos a fazer agricultura…
E até já se fazem programas de televisão para incentivar as pessoas a fazer agricultura nas varandas das suas casas, vejam lá! …
Afinal sim, parece que é agora que isto vai!...
Ou vai, ou racha!...
Fiquei com a forte impressão de que tudo vai mudar, quando vi no passado 10 de Junho ser condecorados – com a grã-cruz, não sei de quê – aqueles agricultores e pescadores que tanto se têm sacrificado para manter a sua actividade, a bem do país.
E como fiquei maravilhado ao ver aquele pastor alentejano – com uma cova no peito, de se encostar ao cajado – subir à tribuna presidencial para também receber a sua comenda!...
Acto nobre também, foi a atribuição do título de Doutor Honoris Causae àquele velho resineiro da Pampilhosa da Serra e àquele proprietário daquela boiada de Bragança.
Sublime, simplesmente sublime!... Quem disse que isto é um país do faz de conta?...
Enquanto isto porém, o país rural – de paisagem já desoladora – fenece, feio, sujo, coberto de manta morta, com devastada pobreza faunística e cinegética, e terrivelmente susceptível aos fogos.
Tivemos uns «icosavós», intrépidos marinheiros, conquistadores e descobridores de mundos, e nós viveremos por isso sempre orgulhosos à «sombra da bananeira», ufanados das glórias da nossa história, e assumindo como nossas, as acções que eles praticaram.
E pronto, cá vamos tentando fingir de gente grande, vestindo para isso a roupa e as armaduras dos nossos remotos avoengos, e esperando, quietos, que o futuro nos restitua o esplendor perdido.
Entretanto vamos vivendo sem justiça, sob o peso da corrupção e da ignomínia política.
E nisso sim, poderemos competir com outros países, e ser mesmo sérios candidatos à taça das nações.
Ah, se o ridículo matasse!...
Zé Macário
2/08/2011