Eu e a Dúvida
Um pouco em resposta a uma pessoa que, comentando um texto meu, se admirava da minha ingenuidade por ainda acreditar nisto ou naquilo, mas também para melhor compreensão das razões que me levam a escrever de determinada maneira, vou tentar dar uma resposta que possa esclarecer melhor as razões desta maneira de escrever.
Penso que quando se escreve sobre qualquer assunto, deve ser dada ao leitor a oportunidade de o analisar sob perspectivas diferentes das usuais, ou seja, diferentes das que estiverem na moda – sim, porque a escrita também é de modas.
Sou ainda do parecer de que não vale a pena falar daquilo que nos parece estar bem, pois não reclama mudança, quando muito, só aperfeiçoamento.
Do mesmo modo, não me parece que valha a pena falar daquilo que toda a gente fala.
Por outro lado, parece-me também que deve ser dado ao tema em apreço, o maior ênfase possível, para despertar no leitor a exploração de perspectivas.
São essas e não outras, as razões que me levam a tentar ser polémico.
O recurso à ironia – tal como a utilização exagerada de adjectivos – serve só para enfatizar a exposição das ideias.
Evidentemente isto faz correr o «risco» de se poder ver quem escreve, como alguém carregado de recalcamentos.
Como uma eterna criança, sempre caminhei sobre dúvidas que nunca verei esclarecidas, porém quanto a recalcamentos, na minha idade, já estão eles próprios bem recalcados.
No entanto se se quer ser polémico, deve-se ser alheio ao «risco», e ter presente que cada leitor pode e deve ser livre na sua apreciação.
Se quero polemizar, posso, e eventualmente até devo, falar de um assunto, de forma absolutamente contrária ao meu próprio sentimento.
Sim, eu sou «geneticamente» amante da controvérsia, e nunca pretendo ser dono da razão – por isso gosto, mas gosto mesmo, de ser criticado.
Deixem-me porém que reforce com alguns exemplos a argumentação acima referida:
1.Acho que tem sido consensual a consideração da bondade da acção dos presidentes da república.
Eu porém – nunca tendo percebido qual a utilidade dessas figuras – parece-me que teríamos vivido melhor numa república anárquica, sem presidências.
Não vejo onde é que há mais valia para a república, o facto de ela ter uma presidência, tanto mais que me parece que os presidentes têm sido todos iguais, na sua acção (nula).
2.Muito menos percebo ainda, porque é que na democrática assembleia da república, estão representadas as forças da extrema-esquerda, enquanto não dão representação às da extrema-direita, deixando-as fazer-se ouvir, e esvaziando assim as tensões que eventualmente possam criar no seu interior.
3.Como não percebo também porque não há-de estar representada a causa monárquica, ou quaisquer outras ideologias.
Será que não se percebe que ao limitar a democracia, estão a deixar na marginalidade – com as respectivas consequências, e que podem ser graves – as forças não representadas? Atenção, «não há machado que corte a raiz ao pensamento»!
Estas, são algumas das muitas, muitas questões, que não vejo normalmente reflectidas na imprensa, mas, porque assaltam o meu espírito, gosto de pôr à consideração dos leitores.
Diga-se no entanto que o meu exercício de escrita é puro entretenimento.
Zé Macário
1/08/2011
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