terça-feira, 31 de maio de 2011

Magia, Actos, Fatos, Artefactos e Odores das Palavras


Imediatamente após o 25 de Abril, apareceram por aqui entre nós, como que vindas de túmulos dos nossos ancestrais, montes de palavras cuja sonoridade ou significado pouca gente conhecia. Por causa disso não deixavam no entanto as pessoas de as pronunciar.
A maioria delas existia realmente nos dicionários mas, eram desconhecidas do grande público.
Apareceram assim com acentuado cheiro a naftalina, como se há muito tempo tivessem permanecido fechadas em algum armário, nas catacumbas da história, gerando porém ainda fortes emoções.
Essas palavras foram adoptados pelo léxico político, e fizeram carreira, embora de pouca duração. Entre elas contam-se:
- Fascista, antifascista, reaccionário, cacique, demagogia, pragmatismo…
Sim, fizeram curta mas importante carreira, estas palavras.
Tão curta, quanto a moda dos fatos de ganga que toda a gente passou a usar nessa altura – até os funcionários de escritórios – para se confundirem com o proletariado.
Da mesma forma, e para que fossem bem aceites pelos novos clubes que agora apareciam, «todas» as pessoas exibiam através de qualquer marca ou sinal no corpo, as torturas a que a P I D E as sujeitara.
Os locutores de televisão deixaram por algum tempo de usar fato e gravata, e os políticos passaram a aparecer na televisão em mangas de camisa.
Mas as palavras geravam fortes emoções, lá isso geravam.
Seguiu-se depois a moda da invenção de palavras novas, ou enfatuadas com novas roupagens. E nisto de palavras, a indumentária e o adorno conta, e conta muito.   
As mesmas acções, designadas agora por palavras de novas roupagens, alteram o sentido das emoções. Por exemplo, as velhas formas de referir a homossexualidade, parece que causavam alguma vergonha. Pelo contrário, a nova palavra com que agora é designada a mesma acção, parece gerar orgulho.
O mesmo parece acontecer com o uso das palavras prostituição, ou alterne. Prostituição é ocupação de baixo nível, enquanto alterne parece ser profissão de luxo.
Promiscuidade, gera emoções de desonra, enquanto que questões fracturantes, poderão gerar emoções de orgulho.
Por isso, a grande promiscuidade tem tanto cuidado em enfatuar e engravatar as palavras. A troca de botas cardadas por sapatos finos, suaviza o andar, mas faz sentir mais os escolhos do caminho. Será que este novo linguajar ainda consegue despertar emoções?
É suposto que a antonímia gera sentimentos opostos, porém a simples forma, expressão facial ou entoação com que uma palavra é pronunciada, pode igualmente gerar sentimentos contraditórios.
As palavra têm realmente o condão de despertar sentimentos e emoções. Por exemplo, a simples audição de uma palavra, pode estimular ou excitar um acto sexual.
As palavras – mesmo que isoladas – louvam ou ofendem; acariciam ou arranham…
Exprimem sentimentos de gratidão ou de repulsa, e podem até provocar o vómito, e talvez a morte.
Não obstante o poder das palavras, esta campanha eleitoral foi objecto de um discurso paupérrimo.
Ainda que ilustrada pela presença de bombos, gaitas de foles, «carpideiras» paquistanesas e tantos outros artefactos, parece-me que não tiveram o condão de despertar alguém do sentimento letárgico em que nos encontramos.
Se porém, alguém se sentiu tocado por qualquer sentimento, diga-me, para que eu possa comungar dessa emoção.
E gastou-se tanto dinheiro para quê?
Aliás, muito me questiono sobre o que será que tanto faz oscilar as sondagens.


31/05/2011
Zé Macário

Conversa de Café III


Diz o povo, e às vezes é verdade, que não há duas sem três. Pelo menos desta vez assim aconteceu.
Ontem quando entrei no café, lá estavam os nossos já conhecidos Guedes e Teodoro. Como das outras vezes, acomodei-me na mesa contígua e puxei de um jornal.
Parece que mais uma vez o tema da conversa ficara suspenso, e continuava agora de forma animada.
Disfarçadamente prestei alguma atenção, e agora reproduzo; E então aí vai:

Teodoro, lembras-te das escutas efectuadas ao procurador Cunha Rodrigues, através do microfone escondido debaixo do soalho?
Lembras-te dos desabafos de Pinto Monteiro, por se sentir escutado?
Lembras-te da bronca das escutas ao Sr. Presidente da República?
Que se fez para debelar este fenómeno? Que se saiba, nada, absolutamente nada. Afinal todos convivemos bem com isto, incluindo os próprios visados.
Como há de ser visto na «estranja» um país, em que até o seu mais alto magistrado – eleito directamente pelo povo – pode estar sob escuta?
Que garantias temos nós – populares – de que não estaremos sob escuta, quando sossegados em nossa casa fazemos amor com as nossas companheiras?
Com tantas câmaras de vídeo-vigilância espalhadas por todo o país, já fizeram baixar os índices de criminalidade?
Como é que num país quase falido, se consegue gastar tanto dinheiro em campanha eleitoral, a tentar enganar o pagode?
Acaso esses gajos têm algo para nos esclarecer, ou já estamos fartos dos esclarecimentos deles ao longo de quase 40 anos?
Se não era para enganar o povo, porque é que nesta campanha eleitoral até se alugaram «carpideiras» paquistanesas de turbante, enfatizando assim a festa ou o velório – nem sei bem?
A avaliar pelo que conhecemos do passado, para que nos serve o procurador da república? E o presidente do supremo?
Será para perturbar o andamento normal da justiça ou para evitar que os poderosos tenham de responder, eventualmente por dolo, em processos judiciais?
E já agora, para que nos serve um presidente da república, com tamanha limitação de poderes? Será só para dar música aos governos, aos partidos e ao povo?
De «músicas» já todos estamos fartos. Para sobrevivência do país, muita coisa terá de mudar em tudo isto.
Porque será, por exemplo, que os portugueses, quando associados do Sporting, do Porto ou do Benfica, tudo fazem para elevar os seus clubes aos píncaros, e enquanto membros da nação portuguesa, não têm para com ela idêntico comportamento?
Acaso será que isto acontece porque os clubes são de todos os associados, enquanto a pátria é só de alguns?
Acreditas que uma grande parte dos portugueses sabem melhor o hino dos seus clubes, do que o hino nacional, perante o qual nem sequer sentem qualquer tipo de emoção ou pertença?
Olha Teodoro, que responda quem souber, e só quando todos soubermos, poderemos mudar o rumo das coisas.

Durante toda a conversa, o Teodoro limitou-se a anuir com a cabeça e a dizer: pois, sim, realmente, exactamente…
Mais uma vez me vim embora, enquanto eles continuaram sentados e animados.


Zé Macário
27/05/2011

Conversa de Café II


Coincidência das coincidências, ontem estive a tomar café no sítio do costume, e lá estavam na mesma mesa, ao lado da que eu ocupei, os mesmos dois indivíduos cuja conversa tinha observado e descrito a semana passada.
Parece que o tema da conversa fora suspenso na altura por qualquer razão, e continuava agora.
Adquiri imediatamente a impressão de que um dos indivíduos – a contar pelo tipo de conversa e análise política que evidenciava – seria alguém ligado à psicologia.
Assistamos pois à conversa:
- Oh Guedes, para que o país pudesse ainda ter alguma esperança, era necessário o aparecimento de um líder que gerasse uma grande coesão nacional.
 Só quem podia salvar o país, era o povo, esse povo que os governantes «mataram», e que dificilmente ressuscita.
A grande diferenciação social que estes gajos incentivaram ou consentiram entre as pessoas, faz com que estas não sintam o Estado como uma casa e causa comum, que é necessário defender a todo o custo.
Nunca mais alguém há de querer defender o Estado, mas antes, defender-se cada um por si… É o salve-se quem puder. Se o Estado não me defende, porque raio hei de eu querer defender o estado?
Como membro deste Estado, cada acto de corrupção, de furto, ou de qualquer outro, condenável pela moral, é também a mim que prejudica …E se estes actos nem sequer são censurados, e eu não quero sentir-me eternamente vítima, será natural que também me torne gatuno, corrupto, violador, e eu sei lá que mais. Cada um, tentará jogar com as cartas que tem
Porém ainda que assim não fosse, como poderia ser voluntário no pagamento dos meus impostos, a um estado que – pela inacção da justiça – consente ou fomenta aqueles actos?
O país só se levanta quando todos sentirmos o Estado como casa própria, e que todos voluntariamente queremos defender.
Quem acompanha com um coxo aprende a coxear, mas o inverso não é verdade.
Foi fácil construir-se uma sociedade espartana com as consequências que se conhecem… O que não vai ser possível, é restaurar a confiança mútua nos «vizinhos do lado», para em conjunto sentirmos o dever de edificar ou restaurar a casa comum.
Continuamos ainda a construir a Torre de Babel, e os políticos cada vez mais confusos com tudo isto.
Mas pior que tudo isto, é estes gajos pensarem que as sociedades se mudam por decreto.
Não, não é assim que funcionam os movimentos sociais.
Dos políticos existentes, seja quem for a ganhar as eleições, hão de ter de renegociar a dívida, e não nos levarão a lado nenhum. Aponta aí oh Guedes!

A despesa da conversa, esteve sempre a cargo do Teodoro, a que o Guedes só anuía com a cabeça.
Tocou o meu telefone, e tive de sair para ir atender um neto - com alguma pena minha -  por não poder continuar a observar aquela conversa interessante e animada.

Zé Macário
24/05/2011

Conversa de Café I


Estava sentado na mesa do café. Não pude – e acho que nem quis – deixar de acompanhar a conversa que se desenrolava entre dois amigos na mesa ao lado, e que me pareciam ser portugueses da classe média baixa.
Um deles desabafava:
-Sou pobre como a maioria dos portugueses, trabalho desde os seis anos de idade, cumpri o serviço militar obrigatório, estive ligado a diversas organizações de bem fazer, nunca beneficiei de qualquer subsídio do estado, nunca recorri aos serviços de saúde pública e não frequentei, eu ou os filhos, a escola pública; Assim como nunca beneficiei de habitação gratuita ou de baixa renda, oferecida pelo estado, ou seja, só a mim devo, tudo o que sou ou tenho. E tudo isto me custou muito trabalho e muitas privações.
A par disto, sempre contribui – pagando todos os meus impostos – para que os outros portugueses beneficiassem dessas regalias a que eu renunciei.
Em 1971 vivia em casa arrendada, pela qual pagava 1.400 escudos, que traduzidos em euros, seriam 7, e por mais que tivesse aumentado, não iria hoje além dos 50 euros
Fartei-me de trabalhar para ter casa própria, e hoje pago de I M I por esta minha casa 120 euros mensais – muito mais do dobro de contribuição, do que pagaria de renda por casa alugada.
Também o ensino dos meus três filhos em colégios particulares me custou imensos sacrifícios e privações, mas estes sim valeu a pena, porque hoje ganham muitos milhares de euros e já fazem parte daquela classe de pessoas que se podem furtar ao pagamento de impostos ao estado – dizem aliás que, não devendo nada ao Estado, não há de ser com os impostos deles, que os homens do governo vivem à tripa forra ou pagam compadrios. E se realmente se furtarem ao pagamento de impostos, eu nem sequer os critico por isso, dado que o estado funciona como o Robim dos Bosques, tirando aos que tudo sacrificam, para dar aos que nada querem fazer.
Pouco valem os apelos do Sr. Presidente da República, para todos cooperarmos na recuperação do Estado, se os governantes não nos derem boas razões objectivas para nos sentirmos parte integrante desse mesmo Estado, com os respectivos direitos de cidadania.
Vê lá – dizia ainda o mesmo individuo – o estado paga os abortos voluntários, os observatórios da droga, as seringas para a droga, habitações para os preguiçosos, e eu sei lá que mais, à custa dos impostos que cobra a gente honrada e trabalhadora!

Não, não me parece lícito opinar sobre a conversa daqueles dois amigos, mas lá que me pareceu curiosa, isso pareceu.
Chegados aqui, e depois de diversas considerações que aqui não reproduzo, até por me ter esquecido, viraram o tema da conversa para o funcionamento da justiça, já não da justiça social, mas agora da justiça jurídica.

Opinava agora o seu companheiro:
- No reino da justiça, reina a mais profunda abulia e a impunidade quase total.
Se quiser cobrar uma dívida, não vale a pena recorrer ao tribunal, mas antes a uma agência de cobranças difíceis.
Se um menor me incendiar o automóvel ou me assaltar a casa, não vale a pena recorrer ao tribunal, porque o menor é inimputável.
Se repetidamente assaltarem os meus haveres, vale mais organizar uma milícia popular, do que esperar que as forças da ordem acorram em minha defesa.
Um professor acusado de violação ou pedofilia, pode continuar a leccionar pelo menos até ser julgado.
Da mesma forma, também um médico acusado do mesmo crime no âmbito da sua profissão, pode continuar a exercê-la.
Um qualquer prevaricador pode arrolar centenas de testemunhas, para emperrar o andamento do processo judicial.
Um qualquer processo judicial pode demorar mais de dez anos a ser resolvido.
Os processos Felgueiras, Casas Pias, Freports, Furacões, Isaltinos, Vales e Azevedos entre tantos outros, são tudo coisas de muito má memória.
Parece tudo estar a favor dos prevaricadores, esquecendo-se o «direitos» das vítimas.

Só estou a tentar reproduzir o mais fielmente que me é possível à posteriori, a conversa desses dois indivíduos – que me pareceram bons observadores da realidade portuguesa – deixando para os leitores as considerações ou juízos de valor que muito bem entenderem.

20/05/2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ilusionismo


Tenho ouvido dizer a entendidos na matéria, que há em Portugal cerca de 14.000 instituições de âmbito de solidariedade social. E destas, cerca de um quarto administradas por movimentos da igreja católica, movimentos estes, que por sua vez realizam cerca de 90 por cento da mesma acção social.
Para além de existirem «penduradas» em subsídios estatais, o exercício real das outras cerca de 10.500 instituições, em termos gerais, parece assim, ser quase nulo, e pouco claro.
Acaso será nestas, que estão colocados os tais boys do governo? E com que directrizes?
Verdadeiramente não o sabemos. Sabemos porém, que elas são extremamente ciosas na defesa dos «seus territórios», e acredito mesmo que podem ser propícias ao exercício do caciquismo.
Será que, por exemplo, o programa «novas oportunidades» terá muita mais importância, que a simples certificação de incompetências, e que os seus utilizadores devem realmente ofender-se com quem levantou esta «lebre»?  E mesmo que alguns pudessem eventualmente considerar-se ofendidos, deviam ser eles, ou outros em nome deles, a manifestar a dita ofensa?
Parece-me ter-se instituído em Portugal a «indústria» do desgraçadinho, e com ela, a consequente «indústria» da caridadezinha do estado, em que quase toda a gente se «pendura». E esta «indústria» tornou-se de tal forma corriqueira, que agora até já os mais pobres lhe recorrem.
Os nossos instintos reflexos ficam de tal forma condicionados por este sistema pavloviano, que deixamos de querer perceber a verdadeira realidade do momento que vivemos, e assim somos conduzidos como cordeiros, para o altar do sacrifício.
Quantos Mercedes, Audis e Porches circularam ou circulam nas estradas de Portugal, pagos com dinheiro proveniente do fundo social europeu?
Será que, por exemplo, o subsídio de desemprego só beneficia desempregados?
E não deverá fazer-se pergunta de idêntico teor, relativamente aos subsídios para a indústria ou para a agricultura, e para tantas outras actividades?
Sim, por alturas de eleições lá vêm os concessionários dessas pseudo benesses, lembrar que, de tais lhes somos devedores, ou mesmo ameaçar com a sua perda, os que neles não votarem. E é exactamente aqui, que esses senhores condicionam, em benefício próprio, a nossa inteligência e os nossos instintos reflexos.
Só assim se poderão compreender as sondagens que já dão vitória aos que nos lançaram a todos neste buraco.
Enquanto o país se afundava economicamente em dívidas, estes indígenas do governo presentearam-nos com o direito ao casamento entre indivíduos do mesmo sexo, estará para breve o seu direito à adopção, e não tardará também que os velhos e doentes conquistem o direito de serem assassinados através de uma lei da eutanásia, enquanto as gerações mais jovens manterão o direito de viverem por favor.
Meus amigos, os chantagistas são abomináveis badamecos sem carácter!
Não cedam às chantagens, e votem livremente!
O exercício da liberdade é também um acto de inteligência!

Zé Macário
20/05/2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Civilização da Vergonha



Nós portugueses, somos muito previsíveis.
Quem conhece este povo, pode perfeitamente prever as suas acções ou comportamentos futuros, em função dos comportamentos em semelhantes situações do passado.
Quando veio a conhecimento público o fenómeno de pedofilia da Casa Pia, causou sentimento de grande alarme e repulsa popular.
Percebeu-se ao fim de pouco tempo que, com o decorrer dos anos, estes crimes e a consequente repulsa iriam ser banalizados, se não mesmo banidos.
Percebeu-se também que grande parte dos personagens citados como protagonistas destes fenómenos, e de grandes escândalos de corrupção, eram ou tinham sido representantes do povo no parlamento ou no governo.
Então onde se acoitam grande parte dessas criaturas? Acoitam-se nos partidos políticos. Nos partidos políticos, que deveriam ser escolas de cidadania!...
Nas próximas eleições, poderão certos partidos, incluir nas suas listas de candidatos a deputados, alguns destes personagens. E eu não ficaria nada surpreendido se esses partidos viessem a ter a maioria dos votos expressos.
Se a inclusão destes nomes em listas para deputados é uma provocação ao povo, a aceitação deste acto por parte do povo, é uma vergonha civilizacional.
Num passado não muito distante, pela prática ou simples suspeita de actos de muito menor gravidade, as pessoas suicidavam-se por não suportarem a desonra, a repulsa e o escárnio popular, muitas vezes até, só por impossibilidade de satisfazer os seus compromissos. Enquanto hoje podem exibir-se ou enaltecer-se «enfunados» na televisão, como futuros deputados ou membros de governo – depois de os seus nomes terem sido arrastados vergonhosamente nas páginas dos jornais.
Por este andar e esta banalização criminal, não estará longe o tempo em que Portugal seja simples objecto de turismo pedófilo ou sexual, além da corrupção, claro.
Acredito mesmo que esta promiscuidade – com a eventual futura constituição de empresas do ramo, cotadas em bolsa – venha a constituir a maior fatia da receita da nossa economia.
Escândalos como o da Casa Pia, fax de Macau, face oculta, Alcochete e tantos outros, não podem originar deputados, ministros ou dirigentes, sem uma evidente, veemente e expressiva repulsa popular!...
Repito: - Esta vergonha cultural e civilizacional há de acontecer ou já está mesmo acontecendo, por aceitação do povo, ou seja, por falta de condenação popular destes actos que, durante pouco mais tempo ainda se manterão no rol dos crimes.
É minha profunda convicção que a própria crise económica e financeira que atravessamos, tem a sua origem na grande crise de valores que afecta a sociedade.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Se na cena nacional aceitamos a eleição e reeleição dos «Curtos», das «Fátimas», dos «Isaltinos»…
Na cena internacional escolhemos como amigos os «Chaves», os «Kadafis»…
Muito mal andaram as religiões ao mandarem os seus bombeiros extinguir o fogo do inferno, pois resolver-se-iam  pelo medo, muitas coisas que não conseguem resolver-se pela ética.
Se não arrepiarmos caminho, aquilo que agora ainda se denomina de crime ou escândalo, virá a ser muito brevemente o traço principal da nossa cultura.
E porque o tema hoje é este, quero deixar aqui uma palavra de apreço àquele grande homem, de pequena estatura física, Marques Mendes, que, enquanto líder partidário, tanto se bateu pela ética na política.


Zé Macário
06/05/2011