sábado, 29 de outubro de 2011

CRISE II

Conforme já previa no meu artigo «Crise I» de 22 / 7 / 2011, o país continua a caminhar aceleradamente para a miséria total.

A quem se irá pedir solidariedade para as desgraças de uns, quando já todos forem desgraçados?
Não, os partidos políticos não são escolas de competências nem de cívicas virtudes, pelo que não poderemos ser bem governados por pessoas «nascidas» no seio dessas organizações.
Prova o que afirmo, o facto de habitualmente os partidos eleitos convidarem para a mais importante pasta do governo – a das finanças – ministros independentes
A ideia de que em democracia é o povo que escolhe os seus representantes, é a maior das falácias, dado que só escolhe de entre as pessoas que se lhe apresentam a eleições, e não necessariamente as mais competentes – eventualmente e com demasiada frequência, parece ser exacta e infelizmente o contrário
Foi aliás a incompetência e os consequentes montes de asneiras – com total impunidade – dos vários governos, que depois de 1974 até hoje, têm conduzido o país à crise em que vamos mergulhando.
Foram os montes de asneiras praticados pelos partidos e pelos governos de 1910 a 1926, que obrigaram a que se recorresse à figura «providencial» de Salazar…
Não gostaria, mesmo nada, que fosse já durante a vigência deste governo que tivesse de se recorrer a outra tal figura providencial…
Porém tudo parece indicar que isso terá de acontecer brevemente.
Portugal não pode continuar a caminhar sem uma forte contenção da despesa do estado, e profunda reforma da administração pública; Tem de haver coragem para fazer o que tem de ser feito.
Há homens providenciais!...
Ponham-se os olhos na exemplar reforma da banca operada por Jardim Gonçalves e logo seguida pelos seus concorrentes, que levaram a que o pessoal das suas organizações fosse reduzido só à medida do necessário, e com evidentes vantagens na modernização, qualidade e quantidade dos serviços prestados. E é exactamente o que tem de ser feito na administração pública, ou não sobreviveremos. Haja coragem!...
Há muitos anos tememos e alimentamos o arrogante monstro «tragafundos» …
È urgente perder-lhe o medo e eliminá-lo. 
Despeça-se o pessoal excedentário para que não estorve o funcionamento dos serviços nas repartições, e se necessário for, paguem-se lhe os salários para ficarem em casa.
De outra maneira não teremos uma administração funcional e moderna, e a crise não será só para dois, cinco ou dez anos.
Porém isto não basta:
- É necessário proceder-se a uma profunda reforma da justiça e da legislação, de forma a poder-se atingir novamente um clima de confiança, convivência ética, de segurança, e paz social.
Para tanto – como alguém dizia há uns tempos atrás – poderá ser necessário suspender-se a democracia por um período mais ou menos longo; Porém o regime não é uma vaca sagrada.
Não, não gostaria que fosse já este governo a procurar, no nevoeiro cerrado, um providencial «D. Sebastião de Santa Comba», que tomasse as rédeas do poder, mas gostaria que fosse este governo a renovar a legislação, de forma a serem atribuídas responsabilidades criminais aos políticos e governantes que delapidam ou delapidaram dolosamente o erário público.
Enquanto não houver justiça a sério, e os cidadãos não tiverem tratamento igual perante a lei e a justiça, Portugal continuará a caminhar para o abismo.
Não é justo que, mesmo perante o dolo, só seja exigida aos políticos a responsabilidade política – que, diga-se em abono da verdade, ninguém sabe o que seja – pelo que deve poder ser-lhes exigida responsabilidade criminal como a qualquer cidadão.
De outra forma, continuaremos vítimas de uma «democracia» coxa.
O povo nunca esteve tão receptivo a reformas do estado, pelo que é oportuno que se efectuem imediatamente.
Nunca houve nem voltará a haver uma oportunidade como esta, para se operarem todas as reformas necessárias; portanto, é agora ou nunca!...
Governo deste país, sê corajoso, se queres fazer alguma coisa por Portugal!...
Dos merdosos ou dos medrosos, não reza a história!...

Zé Macário
29/10/2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comemorações da Implantação da República

Aconteceram mais umas, no passado dia 5 de Outubro.
Lá estiveram mais uma vez nas varandas da Câmara e praça do Município de Lisboa,  altos dignitários e «distintas» individualidades da nação.
Que celebrarão de bom, que a minha cabeça não consegue descortinar, estes presumíveis iluminados republicanos?!
Não ressaltou de qualquer discurso, algo de bom, de que o país seja devedor a este  regime republicano. Porém todos ressaltaram a «ética republicana» que, julgo, ninguém saber o que é... Sim, definam-me ética republicana. O que é?
Perante a bandalheira a que se votou durante os 16 anos da sua estouvada menoridade, a Sra. D. República – com os seus cento e tal governos – mais não fez do que preparar o povo  para  receber em uníssono, alegre e festivamente, uma ditadura que veio a durar 48 anos.
O período ditatorial de 48 anos, que medeia entre 1926 a 1974, foi um tempo de comedimento da devassidão desta república pandorca.
Depois de 1974 avacalhou-se novamente, e nos 37 anos subsequentes, mergulhou-nos, progressiva e inexoravelmente na terrível crise sistémica em que hoje vivemos, e de cujo redemoinho não se vislumbra sairmos.
Por mais que disfarce, a D. República – senhora bem penteada e bem vestida – não consegue evitar que se veja a escorrência das repugnantes badalhocas que lhe pendem do saiote, e lhe chegam a tocar nos sapatos – de salto alto.
Não serão muito mais republiqueiros do que republicanos, muitos dos tais arautos da ética republicana?
Mais do que a crise económica, as badalhocas que a república transporta penduradas no seu saiote são:
- a insegurança e intranquilidade, a corrupção, enriquecimento ilícito, desvio de capitais para o estrangeiro, roubo à mão armada, e muito principalmente o péssimo funcionamento da justiça, provocados pela degradação das regras normativas da moral.
Não me merece assim tanto respeito nem me parece assim tão digna de comemorações, esta estouvada «senhora» que – qual desmazelada marrã – ceva nédios e luzidios uns tantos bácoros de cada ninhada, enquanto deixa que os mais filhos mirrem e morram canejos, lazeirados de fome.
Para tornar esta senhora mais asseada, é urgente proceder-se a uma morigeração dos costumes e dos valores nos nossos políticos, e, por arrastamento, no povo em geral.
Percebe-se que os discursos das comemorações, sejam discursos de circunstância, e como tal, ocos…
Percebe-se que seja «politicamente correcto», nas circunstâncias, falar de ética republicana…
Mas expliquem-nos por favor – se é que sabem explicar – o que é essa tal ética republicana.
Com o passado e o triste fadário que se conhece desta república, só os republiqueiros podem referi-la convictamente como senhora asseada e virtuosa, e não vejo mesmo, como alguém possa orgulhar-se de tal mãe.
Não percebo até como pode ter durado tanto, esta relação de conjúgio, concubinato, ou mancebia, do nosso velho Portugal com esta senhora, a quem deve ser difícil beijar, pelo mau hálito difuso que exala da boca ou dos fundilhos.
Acredito que depois dos maus comportamentos deste republicanismo, o povo já receberia novamente de braços abertos outra ditadura - como mal menor.
Ao ouvir os discursos das comemorações da república, lembro-me sempre e só, daquela grande tirada dos «Gato Fedorento»:
- Eles falam, falam, falam, mas não dizem nada! …
E os portugueses não passam da cepa torta!



Zé Macário

12/10/2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Reverso



O que terá levado os hominídeos ou os homens primitivos à atracção sexual? Terá sido a beleza do sexo oposto? Terá sido o subtil mundo dos odores? Terá sido uma instintiva necessidade irresistível, como a necessidade de comer? O instinto teria conjugado – para sobrevivência da espécie – todos estes factores e eventualmente muitos mais?
Em princípio, julgo, o homem andaria nu sobre a terra, e copulava livre e colectivamente – como qualquer animal – sem qualquer tipo de vergonhas ou restrições.
Quando terá começado a emparelhar e conjungir?
Terá sido na mesma altura, que começou a recatar-se, na sua prática sexual?
Estará a instituição da monogamia, cronologicamente relacionada com a singularização da propriedade?
Não será por acaso, que a maior parte das sociedades, em todo o mundo, são monogâmicas, e como tal defendidas, por todas as grandes instituições religiosas.
Sim, parece-me que a monogamia, com a respectiva fidelidade conjugal é, neste particular, uma forma de organização social quase perfeita e funcional.
Certo é que ainda hoje – mesmo na maioria das sociedades ditas primitivas ou selvagens – as práticas sexuais são actos praticados na intimidade dos «lares». Porquê? Não sei.
Não consta que os nossos ancestrais tivessem sentido necessidade de educação sexual, quer para se reproduzirem, quer simplesmente para satisfazer os seus desejos intrínsecos.
Aliás, até à pouco tempo, ninguém ensinava nada sobre estas coisas, antes pelo contrário, tinha até vergonha de falar delas, e toda a gente se desenrascava.
Sem nenhum ensinamento prévio, toda a gente sabia fazer meninos, e gozar hetero e naturalmente as delícias do sexo.
E quase nem se falava de paneleiragem.
Nos tempos que correm – e numa atitude que me parece de regresso aos primórdios da pré-história – já se começam a delimitar grandes áreas do espaço público (espécies de reservas), para a prática de nudismo – e não sei se de cópula colectiva.
Começa a generalizar-se a ideia – disseminada aliás por alguns «sexólogos» – de que a fidelidade conjugal, atenta contra a liberdade individual, e como tal, deve ser banida.
O princípio parece ser muito bem aceite… O que parece não ter tanta aceitação é a ideia de os indivíduos se poderem autoconsiderar filhos da puta
Há «sexólogos» com programas televisivos a ensinar cá aos morcões, as mil posições possíveis para o acto sexual – assim mais ou menos, como um chefe de cozinha a ensinar as cem maneiras de cozinhar bacalhau – algumas daquelas só possíveis a contorcionistas.
Porém, para obviar a esse esforço terrível que é a actividade sexual, há hoje máquinas eléctricas, e não sei se mesmo a gasóleo, que parece desempenharem bem essas tarefas.
Para quem ainda teimar em usar os órgãos tradicionais – dada a «desfidelização» das relações a que aludimos – é aconselhado a utilizar sempre um escafandro, porque o perigo espreita e a sida prolifera.
Hoje ensina-se na «educação sexual» a nulidade da virgindade.
E lembrar a ânsia que tínhamos de tirar um virgo!...
E quantas mortes até, só por aquele hímen?!...
Quantos embaraços, por as mulheres já desfloradas, tentando enganar, substituírem o hímen por uma película de carne de vaca, que sairia agarrada ao «êmbolo» – e às vezes até, com o carimbo da câmara municipal – na próxima relação sexual?!:
Sim, os nossos antepassados eram mesmo broncos!
Porque valorizavam tanto essas minudências ou nulidades?!...

A quanto sacrifício, esforço e suor se poderiam ter furtado, se em vez de utilizarem sempre os mesmos órgãos, tivessem eles inventado as modernas máquinas de fazer sexo?!...
Ah, como tudo seria diferente se eles já conhecessem a educação sexual!..
Mas o engraçado da questão, é que nem de escafandro alguma vez necessitaram.
Sim, com a educação sexual e a panóplia de instrumentos e máquinas de fazer sexo, o homem actual, pode mandar para a lixeira – por obsoletos – os órgãos sexuais tradicionais.
Porém, uma coisa é certa: - há cada vez mais paneleiros e muito menos reprodutores.
Aliás cada vez mais se recorre ao estrangeiro para «comprar» ou adoptar filhos.
A par disto, o estado vai pagando os abortos das mulheres que emprenharem sem querer, ou se arrependerem de o fazer.
É uma sociedade de contradições.


Zé Macário
18/09/2011

domingo, 18 de setembro de 2011

O Outro Lado II




Isto é uma continuação do capítulo anterior.
E assim permito-me lembrar que governar bem, é fazer as escolhas e opções socialmente mais acertadas e interessantes, no complexo labirinto das ideias.
Sim, porque o mundo gira sempre em torno das ideias.
Ao longo de muitos anos, os agentes de comunicação social – principais construtores da opinião pública e do senso comum – construíram a ditadura das ideias (o politicamente correcto), fora das quais parece proibido pensar ou manifestar o pensamento.
Era do senso comum que as autarquias eram as organizações que com menos dinheiro, mais obras faziam, ou seja, quem melhor gastava os dinheiros públicos. Parecia proibido afirmar o contrário.
Hoje porém, sabe-se que elas terão sido as maiores sorvedoras de dinheiro – mal gasto.
Nascemos já com a ideia feita de que os bombeiros voluntários são organizações de benemerência, que actuam gratuitamente em acções humanitárias a favor dos seus concidadãos. Será exactamente assim? Não seria bom examinar como é que ali se administram as verbas que lhes são atribuídas?
Os arrumadores de automóveis também fazem acções de «benemerência», no entanto uma grande parte das vezes, os automobilistas – «seus beneficiários» – gostariam de não os encontrar no seu caminho, e se lhes dão algumas moedas, é só por receio de que os seus veículos sejam objecto de alguma patifaria.
Emocionamo-nos com a pobreza de uma criança que pede esmola, e acaso ela não fará parte de uma legião, que pede para alguém -«empresário da pedincha» - que precisa imensamente menos do que quem dá?
As fundações – de cariz humanitário, algumas delas – terão todas razão de existir?
E muitas das organizações de voluntariado que hoje proliferam pelo país – em tempos de tanto egoísmo – não deveriam ser objecto de fiscalização?
Acaso não estarão a explorar as nossas emoções, para afirmarem falsamente a sua imagem benéfica, ou seja, lobos vestidos de anjos?
Passámos muitos anos de deboche clientelista! …
Não sabemos até onde chegou a teia cancerígena do furacão, do face oculta, do BPN…
O estado deve fiscalizar todas as instituições, de cariz social ou estatal, que recebam dinheiros públicos, seja qual for a sua imagem pública ou o fim a que se destinam, porque – tal como as ideias – todas as organizações são discutíveis. E devem ser discutidas sem limites, e sem exploração «coactiva» mútua, da emoção das paixões.
O pombo que confiar demasiadamente na fidelidade da sua pombinha, pode estar a perdê-la para um pombo ladrão!
Em tempo de vacas magras, é necessário e urgente eliminar a obesidade das instituições, até porque a necessidade aguça o engenho.
De referir ainda que, embora o dinheiro seja necessário, não é com banhos de dinheiro que se obtém o bom funcionamento das organizações.
Em meu entender é necessário e urgente também, eliminar as organizações redundantes que vivam do orçamento do estado, e que só servem para sorver dinheiro e complicar a resolução dos problemas.
Fico por aqui, mas voltarei ao tema, por inesgotável que é.

Zé Macário
16/09/11

O Outro Lado


Interessa-me sempre examinar ou comentar as questões, vendo-as de um lado diferente do da generalidade das pessoas; e faço isto para evitar a ditadura do «politicamente correcto».
A cinematografia ficcionista contemporânea é fértil em mostrar – muitas vezes com recurso a efeitos especiais – os terríveis monstros criados inadvertidamente pelo homem, tantas vezes com o simples pronunciamento, errado, das palavras «abracadabra, abre-te césamo», ou com o gesto de esfregar a «lâmpada de Aladino».
Vem isto a propósito de reflectir sobre o facto de hoje em dia, por todos nos guiarmos por ideias feitas, estarmos possivelmente a pronunciar erradamente as tais palavras mágicas, criadoras de monstros, capazes de devorar a sociedade.
Em termos de ideias, não temos de nos guiar ou reproduzir as ideias dominantes, mas antes, examiná-las de todos os «ângulos» possíveis. Sim, as ideias também devem entrar em laboratório, e serem abertas e dissecadas.
As organizações que distribuem roupa aos pobres, apelam hoje a que só lhes seja oferecida roupa impecável, ou mesmo o último grito da moda, para assim contemplar – dizem – a «dignidade» dos necessitados.
Começo por não concordar que a dignidade das pessoas esteja na sua indumentária.
Como não percebo que, gente que habitualmente veste roupa eventualmente com pequenos consertos tenha de comprar roupa nova para oferecer aos outros.
Acontece até que muita gente deita para o lixo roupa usável, por vergonha de a entregar nessas casas distribuidoras, na dúvida de ser bem aceite.
Parece-me até que é inusual alguém doar, por exemplo, batas domésticas ou fatos-macacos.
Ora meus amigos, não estaremos – por excesso de zelo – a matar a galinha dos ovos de ouro da solidariedade?
Conheço uma instituição de solidariedade, acolhedora de desfavorecidos da sorte, – em que até já tenho almoçado – onde todos os dias se consomem, e com toda a dignidade, sobras de restaurantes.
Algumas das utentes desta casa, fazem pequenos consertos na roupa que lhes é oferecida, de forma até a adaptá-la ao seu gosto ou à sua medida. E garanto-vos meus amigos, que ali, toda a gente vive com dignidade.
Eu sinto-me muito honrado quando sou convidado a almoçar lá, e espiritualmente engrandecido, quando de qualquer outra forma comungo da vida daquela comunidade exemplar.
De uma reportagem televisiva sobre desemprego e pobreza em Mesão Frio, ficou a ideia de que não há realmente desemprego na região, mas sim recusa de emprego, porque as pessoas só aceitam como ocupação, a frequência de remunerados cursos de formação, e assim, passam a vida saltando de uns para outros...
De uma outra reportagem sobre aumentos de exportação na indústria do calçado, retive a ideia de que o sector, para responder a este aumento, necessita da mão-de-obra de várias centenas de trabalhadores, mas não encontra gente interessada ou qualificada…
Deixo a pergunta: - Quanto se gasta e o que é que se aprende na tão propalada formação profissional?
Sim, e nas novas oportunidades? Qual a sua real utilidade?
E porque gastar tanto em segundas oportunidades, quando tem que se reduzir os gastos em primeiras oportunidades, no ensino normal?
Ainda de uma outra reportagem, em que, moradores de habitações sociais se queixavam de lhes terem aumentado as rendas de 5 para 200 euros, dizia o presidente da câmara de Faro, que esses aumentos eram absolutamente compatíveis com os rendimentos dos respectivos agregados – verificado através de declarações de IRS.
Então reclamavam de quê? Do muito tempo em que, sem necessidade justificativa, as habitaram à custa dos contribuintes?
Enfim, sem comentários!
Por estas e por muitas outras questões a que voltarei brevemente, me parece que estamos perante um estado que promove a miséria, para ter campo onde exercer a «caridade».
 Lembrem-se aliás, que a solidariedade já um dia foi nacionalizada, e já tivemos até um ministério da solidariedade, representado aliás por um indígena, referido – se bem me lembro – em processos da Casa Pia. Recordam-se?
Se o estado não pode nem deve fazer a cobertura de todas as necessidades, então que se dedique só às essenciais, pois ao tentar cobrir tudo, pode ter de entrar em incumprimento das suas funções primárias (saúde, educação, justiça, segurança).
Os recursos não são elásticos, e estão mesmo prestes a rebentar. Haja senso!
Bem sabemos que o corte de privilégios – que nunca deveriam ter existido – pode afectar alguma coesão social, porém, faça-se o que tem de ser feito.
É evidente que os portugueses reconhecem a necessidade desse corte de privilégios, querendo porém que sejam cortadas as regalias dos outros, deixando intactas as nossas. Todavia é ao governo que está atribuída a missão de governar. Então governe!
Estas, são só algumas das muitas, muitas questões, em que eu pergunto se não temos estado a pronunciar as tais palavras mágicas, criadoras de monstros devoradores da sociedade.

Zé Macário
16/09/2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tempos que já lá vão


Decorria a década de 50 do século passado, paroquiava Várzea De Abrunhais um tal padre Soeiro – que Deus tenha na sua glória.
Homem de quem se dizia ser grande barrasco, e não perder a oportunidade de cobrir as necessidades de qualquer rata de sacristia ou mesmo de confessionário. Homem às direitas, teria mesmo – se bem me lembro -  assumido a paternidade dos filhos.
Ora, padreando assim com tanto zelo e caridade, tinha nesta freguesia a aversão dos homens, e grande simpatia entre as mulheres mais formosas e mais «necessitadas».
Lembro-me dele já muito velho e muito surdo.
Uma vez veio à Póvoa celebrar missa, em substituição do padre João Mendes, tendo como acólitos o Zé Duarte e o Joaquim Piedade.
Altissonante, de braço apontado na direcção do Zé Duarte, começou a homilia pela seguinte frase – repetida aliás ao longo de todo o sermão:
- Homem, paga-me o que me deves!...
Como era muito surdo, ignorava em muito o ambiente que o rodeava, e o Joaquim Piedade aproveitando-se desse facto, exortava o Zé Duarte a que lhe pagasse.
O Zé Duarte escondia o riso com a cara entre as mãos, envergonhado com o caricato da situação…
O padre repetia-se…
E o Joaquim Piedade incitava o Zé Duarte para que pagasse ao homem.
O padre voltava a repetir a frase, e o Joaquim Piedade insistia: - Paga-lhe, porque ele não se cala!
A prática foi assim uma gargalhada geral do princípio ao fim, pela cómica situação, gerada pela acção daqueles três actores.
Momento «teatral» digno de um Solnado!...
Foi o dia que mais gostei de ir à missa, e teria mesmo sido capaz de pagar para assistir àquele momento.  
Muitos anos depois, e a título póstumo, obrigado aos actores.



Zé Macário                         

2011 / 09 / 04

O Zé Foi Enganado



Evidentemente, pode dizer-se já que o Zé foi enganado outra vez.
Não, não me enganei, porque não acredito em políticos, e muito menos nos de aviário, isto é, aqueles que nasceram no seio dos partidos, e aprenderam a colar cartazes, quando deviam frequentar a escola.
O que se esperava de Passos Coelho, era que fizesse uma revisão constitucional, e com ela, uma profunda reforma do estado.
Foi isso que foi prometido em campanha eleitoral, e era isso que era absolutamente necessário. O estado social não pode subsistir tal como está.
Ao mostrar-se incapaz de reduzir fortemente as despesas do estado, este governo não vai chegar ao fim da legislatura. Eu já não lhe dou o prometido benefício da dúvida.
Pela segunda vez na minha vida dou razão aos comunistas, quando dizem que este governo está a asfixiar os portugueses que vivem dos rendimentos do trabalho, enquanto asfixiam também a possibilidade de desenvolvimento da economia.
Não, este governo não pode durar muito.
Os socialistas apoiaram a incompetência e as mentiras de Sócrates até ao fim…
Esperemos que os sociais-democratas não apoiem até ao fim, a política errada deste governo.
Aliás, começaram já a ouvir-se as reclamações das pessoas mais avalizadas, mais respeitáveis e mais credíveis do partido.
Temos todos de vir à rua e juntar em uníssono àquelas vozes, as vozes de todos os portugueses.
Queremos que seja posta em marcha a política em que votamos, e que nos foi prometida pelos vencedores, em campanha eleitoral.
O PSD que resolva isto enquanto está a tempo, formando um governo com gente capaz de cumprir as promessas feitas.
Deixar passar muito tempo não resolve nada, só complica, e nós não estamos em tempo de poder perder tempo.
Pense-se bem quanto o país poderia ter lucrado se tivesse acabado com o governo socialista dois ou três anos antes, e o tivesse substituído por gente capaz.
O pessoal quando sair à rua, não pode dispersar exigências, mas exigir simplesmente que se cumpra o que foi prometido em campanha eleitoral, isto é, que se reduzam drasticamente as despesas do estado.
E não é com atitudes demagógicas de viajar de avião em segunda classe, para fingir que se poupam uns trocos. Não, não é com demagogia, mas com medidas a sério!
Os homens do governo sabem bem o que o país precisa e o que devem fazer, e se o não fazem, e rapidamente, é só por falta de coragem.
Ainda se pode corrigir a trajectória, mas a cada dia que passa o país vai submergindo.
Mais ainda, os governos em Portugal duram o tempo que os comunistas quiserem, e se o partido comunista se dispôs a engolir os «sapos» do PS, nunca estará disposto a engolir os do PSD.



Zé Macário

2011 / 09 / 08

Festas da Póvoa 2011



Ora lá estive mais uma vez na Póvoa, nas festas de Nossa Senhora do Pranto.
Três dias antes das festas, só havia quatro carros estacionados na aldeia.
Um dia antes das festas se iniciarem, o trânsito já estava todo congestionado pelos carros estacionados, e um dia depois das mesmas, a aldeia estava novamente deserta – o que quer dizer que muita gente se deslocou à Póvoa exclusivamente para participar nos festejos.
Embora um pouco menos animadas do que em anos anteriores – talvez pelo espírito da crise – decorreram no entanto com mais uma inovação.
A novidade deste ano foi a actuação de bombos e gigantones, que, com esmero, deram mais algum colorido às festividades. Pena que não fossem – como deviam – acompanhados pelos mordomos.
A missa campal – que começou meia hora mais tarde do que o anunciado - teria sido a beleza sintetizada, com actuação de um coro afinadíssimo, não fora o longo e enfadonho discurso do pregador, que, com os ombros vergados pelo carrego dos títulos (padre, doutor, vice-reitor, cónego) a deslustrou um pouco, perdido que esteve na baba das palavras, saturando as pessoas, e não encontrando forma de acabar.
Com o dinheiro que habitualmente se paga pelo sermão, poder-se-ia ter contratado um eloquente crisólogo.
A procissão foi lindíssima – como sempre.
A tarefa dos festeiros está cada vez mais facilitada, o que constitui motivo para que as festas atinjam cada vez maior brilho - pelo menos assim o esperamos todos.
Porém, porque considero muito importante a simbologia das coisas e a linguagem dos símbolos, teço ainda o seguinte comentário:
- Considero que, quando a seguir à alvorada, a banda dá a volta ao povo, vai fazer uma saudação festiva a todos e a cada morador, pelo que acho que as pessoas deviam sair à porta, e receber e corresponder a essa saudação. Ora como tal não tem acontecido, isso pode reflectir alguma falta de cortesia.
Se pode constituir motivo de «ofensa», a banda deixar algum morador sem visita, também não me parece curial que as pessoas não correspondam às respectivas saudações.
Estranha, foi a ausência de Jorge Venâncio, principal entusiasta das festas – ao que parece por impossibilidade pessoal.
Também estranhei muito não ver este ano caminhar todos inchados à frente da procissão, o presidente da junta e um tal Amândio – talvez reflexo do descrédito a que o povo começa a votar estes autarcas.
Pró ano lá estaremos, se Deus quiser.


Zé Macário

2011-09-03