sábado, 29 de outubro de 2011

CRISE II

Conforme já previa no meu artigo «Crise I» de 22 / 7 / 2011, o país continua a caminhar aceleradamente para a miséria total.

A quem se irá pedir solidariedade para as desgraças de uns, quando já todos forem desgraçados?
Não, os partidos políticos não são escolas de competências nem de cívicas virtudes, pelo que não poderemos ser bem governados por pessoas «nascidas» no seio dessas organizações.
Prova o que afirmo, o facto de habitualmente os partidos eleitos convidarem para a mais importante pasta do governo – a das finanças – ministros independentes
A ideia de que em democracia é o povo que escolhe os seus representantes, é a maior das falácias, dado que só escolhe de entre as pessoas que se lhe apresentam a eleições, e não necessariamente as mais competentes – eventualmente e com demasiada frequência, parece ser exacta e infelizmente o contrário
Foi aliás a incompetência e os consequentes montes de asneiras – com total impunidade – dos vários governos, que depois de 1974 até hoje, têm conduzido o país à crise em que vamos mergulhando.
Foram os montes de asneiras praticados pelos partidos e pelos governos de 1910 a 1926, que obrigaram a que se recorresse à figura «providencial» de Salazar…
Não gostaria, mesmo nada, que fosse já durante a vigência deste governo que tivesse de se recorrer a outra tal figura providencial…
Porém tudo parece indicar que isso terá de acontecer brevemente.
Portugal não pode continuar a caminhar sem uma forte contenção da despesa do estado, e profunda reforma da administração pública; Tem de haver coragem para fazer o que tem de ser feito.
Há homens providenciais!...
Ponham-se os olhos na exemplar reforma da banca operada por Jardim Gonçalves e logo seguida pelos seus concorrentes, que levaram a que o pessoal das suas organizações fosse reduzido só à medida do necessário, e com evidentes vantagens na modernização, qualidade e quantidade dos serviços prestados. E é exactamente o que tem de ser feito na administração pública, ou não sobreviveremos. Haja coragem!...
Há muitos anos tememos e alimentamos o arrogante monstro «tragafundos» …
È urgente perder-lhe o medo e eliminá-lo. 
Despeça-se o pessoal excedentário para que não estorve o funcionamento dos serviços nas repartições, e se necessário for, paguem-se lhe os salários para ficarem em casa.
De outra maneira não teremos uma administração funcional e moderna, e a crise não será só para dois, cinco ou dez anos.
Porém isto não basta:
- É necessário proceder-se a uma profunda reforma da justiça e da legislação, de forma a poder-se atingir novamente um clima de confiança, convivência ética, de segurança, e paz social.
Para tanto – como alguém dizia há uns tempos atrás – poderá ser necessário suspender-se a democracia por um período mais ou menos longo; Porém o regime não é uma vaca sagrada.
Não, não gostaria que fosse já este governo a procurar, no nevoeiro cerrado, um providencial «D. Sebastião de Santa Comba», que tomasse as rédeas do poder, mas gostaria que fosse este governo a renovar a legislação, de forma a serem atribuídas responsabilidades criminais aos políticos e governantes que delapidam ou delapidaram dolosamente o erário público.
Enquanto não houver justiça a sério, e os cidadãos não tiverem tratamento igual perante a lei e a justiça, Portugal continuará a caminhar para o abismo.
Não é justo que, mesmo perante o dolo, só seja exigida aos políticos a responsabilidade política – que, diga-se em abono da verdade, ninguém sabe o que seja – pelo que deve poder ser-lhes exigida responsabilidade criminal como a qualquer cidadão.
De outra forma, continuaremos vítimas de uma «democracia» coxa.
O povo nunca esteve tão receptivo a reformas do estado, pelo que é oportuno que se efectuem imediatamente.
Nunca houve nem voltará a haver uma oportunidade como esta, para se operarem todas as reformas necessárias; portanto, é agora ou nunca!...
Governo deste país, sê corajoso, se queres fazer alguma coisa por Portugal!...
Dos merdosos ou dos medrosos, não reza a história!...

Zé Macário
29/10/2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comemorações da Implantação da República

Aconteceram mais umas, no passado dia 5 de Outubro.
Lá estiveram mais uma vez nas varandas da Câmara e praça do Município de Lisboa,  altos dignitários e «distintas» individualidades da nação.
Que celebrarão de bom, que a minha cabeça não consegue descortinar, estes presumíveis iluminados republicanos?!
Não ressaltou de qualquer discurso, algo de bom, de que o país seja devedor a este  regime republicano. Porém todos ressaltaram a «ética republicana» que, julgo, ninguém saber o que é... Sim, definam-me ética republicana. O que é?
Perante a bandalheira a que se votou durante os 16 anos da sua estouvada menoridade, a Sra. D. República – com os seus cento e tal governos – mais não fez do que preparar o povo  para  receber em uníssono, alegre e festivamente, uma ditadura que veio a durar 48 anos.
O período ditatorial de 48 anos, que medeia entre 1926 a 1974, foi um tempo de comedimento da devassidão desta república pandorca.
Depois de 1974 avacalhou-se novamente, e nos 37 anos subsequentes, mergulhou-nos, progressiva e inexoravelmente na terrível crise sistémica em que hoje vivemos, e de cujo redemoinho não se vislumbra sairmos.
Por mais que disfarce, a D. República – senhora bem penteada e bem vestida – não consegue evitar que se veja a escorrência das repugnantes badalhocas que lhe pendem do saiote, e lhe chegam a tocar nos sapatos – de salto alto.
Não serão muito mais republiqueiros do que republicanos, muitos dos tais arautos da ética republicana?
Mais do que a crise económica, as badalhocas que a república transporta penduradas no seu saiote são:
- a insegurança e intranquilidade, a corrupção, enriquecimento ilícito, desvio de capitais para o estrangeiro, roubo à mão armada, e muito principalmente o péssimo funcionamento da justiça, provocados pela degradação das regras normativas da moral.
Não me merece assim tanto respeito nem me parece assim tão digna de comemorações, esta estouvada «senhora» que – qual desmazelada marrã – ceva nédios e luzidios uns tantos bácoros de cada ninhada, enquanto deixa que os mais filhos mirrem e morram canejos, lazeirados de fome.
Para tornar esta senhora mais asseada, é urgente proceder-se a uma morigeração dos costumes e dos valores nos nossos políticos, e, por arrastamento, no povo em geral.
Percebe-se que os discursos das comemorações, sejam discursos de circunstância, e como tal, ocos…
Percebe-se que seja «politicamente correcto», nas circunstâncias, falar de ética republicana…
Mas expliquem-nos por favor – se é que sabem explicar – o que é essa tal ética republicana.
Com o passado e o triste fadário que se conhece desta república, só os republiqueiros podem referi-la convictamente como senhora asseada e virtuosa, e não vejo mesmo, como alguém possa orgulhar-se de tal mãe.
Não percebo até como pode ter durado tanto, esta relação de conjúgio, concubinato, ou mancebia, do nosso velho Portugal com esta senhora, a quem deve ser difícil beijar, pelo mau hálito difuso que exala da boca ou dos fundilhos.
Acredito que depois dos maus comportamentos deste republicanismo, o povo já receberia novamente de braços abertos outra ditadura - como mal menor.
Ao ouvir os discursos das comemorações da república, lembro-me sempre e só, daquela grande tirada dos «Gato Fedorento»:
- Eles falam, falam, falam, mas não dizem nada! …
E os portugueses não passam da cepa torta!



Zé Macário

12/10/2011