O que terá levado os hominídeos ou os homens primitivos à atracção sexual? Terá sido a beleza do sexo oposto? Terá sido o subtil mundo dos odores? Terá sido uma instintiva necessidade irresistível, como a necessidade de comer? O instinto teria conjugado – para sobrevivência da espécie – todos estes factores e eventualmente muitos mais?
Em princípio, julgo, o homem andaria nu sobre a terra, e copulava livre e colectivamente – como qualquer animal – sem qualquer tipo de vergonhas ou restrições.
Quando terá começado a emparelhar e conjungir?
Terá sido na mesma altura, que começou a recatar-se, na sua prática sexual?
Estará a instituição da monogamia, cronologicamente relacionada com a singularização da propriedade?
Não será por acaso, que a maior parte das sociedades, em todo o mundo, são monogâmicas, e como tal defendidas, por todas as grandes instituições religiosas.
Sim, parece-me que a monogamia, com a respectiva fidelidade conjugal é, neste particular, uma forma de organização social quase perfeita e funcional.
Certo é que ainda hoje – mesmo na maioria das sociedades ditas primitivas ou selvagens – as práticas sexuais são actos praticados na intimidade dos «lares». Porquê? Não sei.
Não consta que os nossos ancestrais tivessem sentido necessidade de educação sexual, quer para se reproduzirem, quer simplesmente para satisfazer os seus desejos intrínsecos.
Aliás, até à pouco tempo, ninguém ensinava nada sobre estas coisas, antes pelo contrário, tinha até vergonha de falar delas, e toda a gente se desenrascava.
Sem nenhum ensinamento prévio, toda a gente sabia fazer meninos, e gozar hetero e naturalmente as delícias do sexo.
E quase nem se falava de paneleiragem.
Nos tempos que correm – e numa atitude que me parece de regresso aos primórdios da pré-história – já se começam a delimitar grandes áreas do espaço público (espécies de reservas), para a prática de nudismo – e não sei se de cópula colectiva.
Começa a generalizar-se a ideia – disseminada aliás por alguns «sexólogos» – de que a fidelidade conjugal, atenta contra a liberdade individual, e como tal, deve ser banida.
O princípio parece ser muito bem aceite… O que parece não ter tanta aceitação é a ideia de os indivíduos se poderem autoconsiderar filhos da puta.
Há «sexólogos» com programas televisivos a ensinar cá aos morcões, as mil posições possíveis para o acto sexual – assim mais ou menos, como um chefe de cozinha a ensinar as cem maneiras de cozinhar bacalhau – algumas daquelas só possíveis a contorcionistas.
Porém, para obviar a esse esforço terrível que é a actividade sexual, há hoje máquinas eléctricas, e não sei se mesmo a gasóleo, que parece desempenharem bem essas tarefas.
Para quem ainda teimar em usar os órgãos tradicionais – dada a «desfidelização» das relações a que aludimos – é aconselhado a utilizar sempre um escafandro, porque o perigo espreita e a sida prolifera.
Hoje ensina-se na «educação sexual» a nulidade da virgindade.
E lembrar a ânsia que tínhamos de tirar um virgo!...
E quantas mortes até, só por aquele hímen?!...
Quantos embaraços, por as mulheres já desfloradas, tentando enganar, substituírem o hímen por uma película de carne de vaca, que sairia agarrada ao «êmbolo» – e às vezes até, com o carimbo da câmara municipal – na próxima relação sexual?!:
Sim, os nossos antepassados eram mesmo broncos!
Porque valorizavam tanto essas minudências ou nulidades?!...
A quanto sacrifício, esforço e suor se poderiam ter furtado, se em vez de utilizarem sempre os mesmos órgãos, tivessem eles inventado as modernas máquinas de fazer sexo?!...
Ah, como tudo seria diferente se eles já conhecessem a educação sexual!..
Mas o engraçado da questão, é que nem de escafandro alguma vez necessitaram.
Sim, com a educação sexual e a panóplia de instrumentos e máquinas de fazer sexo, o homem actual, pode mandar para a lixeira – por obsoletos – os órgãos sexuais tradicionais.
Porém, uma coisa é certa: - há cada vez mais paneleiros e muito menos reprodutores.
Aliás cada vez mais se recorre ao estrangeiro para «comprar» ou adoptar filhos.
A par disto, o estado vai pagando os abortos das mulheres que emprenharem sem querer, ou se arrependerem de o fazer.
É uma sociedade de contradições.
Zé Macário
18/09/2011