Aconteceram mais umas, no passado dia 5 de Outubro.
Lá estiveram mais uma vez nas varandas da Câmara e praça do Município de Lisboa, altos dignitários e «distintas» individualidades da nação.
Que celebrarão de bom, que a minha cabeça não consegue descortinar, estes presumíveis iluminados republicanos?!
Não ressaltou de qualquer discurso, algo de bom, de que o país seja devedor a este regime republicano. Porém todos ressaltaram a «ética republicana» que, julgo, ninguém saber o que é... Sim, definam-me ética republicana. O que é?
Perante a bandalheira a que se votou durante os 16 anos da sua estouvada menoridade, a Sra. D. República – com os seus cento e tal governos – mais não fez do que preparar o povo para receber em uníssono, alegre e festivamente, uma ditadura que veio a durar 48 anos.
O período ditatorial de 48 anos, que medeia entre 1926 a 1974, foi um tempo de comedimento da devassidão desta república pandorca.
Depois de 1974 avacalhou-se novamente, e nos 37 anos subsequentes, mergulhou-nos, progressiva e inexoravelmente na terrível crise sistémica em que hoje vivemos, e de cujo redemoinho não se vislumbra sairmos.
Por mais que disfarce, a D. República – senhora bem penteada e bem vestida – não consegue evitar que se veja a escorrência das repugnantes badalhocas que lhe pendem do saiote, e lhe chegam a tocar nos sapatos – de salto alto.
Não serão muito mais republiqueiros do que republicanos, muitos dos tais arautos da ética republicana?
Mais do que a crise económica, as badalhocas que a república transporta penduradas no seu saiote são:
- a insegurança e intranquilidade, a corrupção, enriquecimento ilícito, desvio de capitais para o estrangeiro, roubo à mão armada, e muito principalmente o péssimo funcionamento da justiça, provocados pela degradação das regras normativas da moral.
Não me merece assim tanto respeito nem me parece assim tão digna de comemorações, esta estouvada «senhora» que – qual desmazelada marrã – ceva nédios e luzidios uns tantos bácoros de cada ninhada, enquanto deixa que os mais filhos mirrem e morram canejos, lazeirados de fome.
Para tornar esta senhora mais asseada, é urgente proceder-se a uma morigeração dos costumes e dos valores nos nossos políticos, e, por arrastamento, no povo em geral.
Percebe-se que os discursos das comemorações, sejam discursos de circunstância, e como tal, ocos…
Percebe-se que seja «politicamente correcto», nas circunstâncias, falar de ética republicana…
Mas expliquem-nos por favor – se é que sabem explicar – o que é essa tal ética republicana.
Com o passado e o triste fadário que se conhece desta república, só os republiqueiros podem referi-la convictamente como senhora asseada e virtuosa, e não vejo mesmo, como alguém possa orgulhar-se de tal mãe.
Não percebo até como pode ter durado tanto, esta relação de conjúgio, concubinato, ou mancebia, do nosso velho Portugal com esta senhora, a quem deve ser difícil beijar, pelo mau hálito difuso que exala da boca ou dos fundilhos.
Acredito que depois dos maus comportamentos deste republicanismo, o povo já receberia novamente de braços abertos outra ditadura - como mal menor.
Ao ouvir os discursos das comemorações da república, lembro-me sempre e só, daquela grande tirada dos «Gato Fedorento»:
- Eles falam, falam, falam, mas não dizem nada! …
E os portugueses não passam da cepa torta!
Zé Macário
12/10/2011
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