domingo, 18 de setembro de 2011

O Outro Lado II




Isto é uma continuação do capítulo anterior.
E assim permito-me lembrar que governar bem, é fazer as escolhas e opções socialmente mais acertadas e interessantes, no complexo labirinto das ideias.
Sim, porque o mundo gira sempre em torno das ideias.
Ao longo de muitos anos, os agentes de comunicação social – principais construtores da opinião pública e do senso comum – construíram a ditadura das ideias (o politicamente correcto), fora das quais parece proibido pensar ou manifestar o pensamento.
Era do senso comum que as autarquias eram as organizações que com menos dinheiro, mais obras faziam, ou seja, quem melhor gastava os dinheiros públicos. Parecia proibido afirmar o contrário.
Hoje porém, sabe-se que elas terão sido as maiores sorvedoras de dinheiro – mal gasto.
Nascemos já com a ideia feita de que os bombeiros voluntários são organizações de benemerência, que actuam gratuitamente em acções humanitárias a favor dos seus concidadãos. Será exactamente assim? Não seria bom examinar como é que ali se administram as verbas que lhes são atribuídas?
Os arrumadores de automóveis também fazem acções de «benemerência», no entanto uma grande parte das vezes, os automobilistas – «seus beneficiários» – gostariam de não os encontrar no seu caminho, e se lhes dão algumas moedas, é só por receio de que os seus veículos sejam objecto de alguma patifaria.
Emocionamo-nos com a pobreza de uma criança que pede esmola, e acaso ela não fará parte de uma legião, que pede para alguém -«empresário da pedincha» - que precisa imensamente menos do que quem dá?
As fundações – de cariz humanitário, algumas delas – terão todas razão de existir?
E muitas das organizações de voluntariado que hoje proliferam pelo país – em tempos de tanto egoísmo – não deveriam ser objecto de fiscalização?
Acaso não estarão a explorar as nossas emoções, para afirmarem falsamente a sua imagem benéfica, ou seja, lobos vestidos de anjos?
Passámos muitos anos de deboche clientelista! …
Não sabemos até onde chegou a teia cancerígena do furacão, do face oculta, do BPN…
O estado deve fiscalizar todas as instituições, de cariz social ou estatal, que recebam dinheiros públicos, seja qual for a sua imagem pública ou o fim a que se destinam, porque – tal como as ideias – todas as organizações são discutíveis. E devem ser discutidas sem limites, e sem exploração «coactiva» mútua, da emoção das paixões.
O pombo que confiar demasiadamente na fidelidade da sua pombinha, pode estar a perdê-la para um pombo ladrão!
Em tempo de vacas magras, é necessário e urgente eliminar a obesidade das instituições, até porque a necessidade aguça o engenho.
De referir ainda que, embora o dinheiro seja necessário, não é com banhos de dinheiro que se obtém o bom funcionamento das organizações.
Em meu entender é necessário e urgente também, eliminar as organizações redundantes que vivam do orçamento do estado, e que só servem para sorver dinheiro e complicar a resolução dos problemas.
Fico por aqui, mas voltarei ao tema, por inesgotável que é.

Zé Macário
16/09/11

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