quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feira de Vaidades


Três expresidentes foram convidados e vaidosamente aceitaram, a botar faladura nas já bolorentas comemorações do 25 de Abril; «vanitas vanitatum et omnia vanitas».
Sim, vão impar de vaidades pessoais. Mas que consolo, benefício, ou incentivo podem trazer ao povo, com a inutilidade do seu palavreado inconsequente? Acaso poderão mitigar minimamente os efeitos da miséria a que vários governos nos conduziram? Não. «Ali não se vê mata de onde saia lobo»!
Se as suas palavras valessem, deviam tê-las dito durante o tempo das suas magistraturas, ou no Conselho de Estado, que integram.
No entanto, gostaria de lhes fazer algumas perguntas, a saber:
- A um, perguntaria:
a)     Acha que o povo ainda tem direito à indignação? E como expressá-lo?
b)    Porque é que num frente a frente com o seu adversário, na sua última campanha para as presidenciais, tratou tão descortesmente o seu adversário, como se fora um bronco desprezível?
      c) Continua a achar que Paulo Portas é um tumor maligno que deve ser expurgado da sociedade portuguesa? E porquê? E aceita – como, com certeza, o seu alto espírito democrático lhe ditará - que ele ou alguém, faça sobre si, exactamente as mesmas considerações?
A outro, faria a seguinte pergunta:
- Ainda continua a parecer-lhe que há mais vida para além do défice?
Perguntaria a outro ainda:
-Tendo alvitrado que se trocasse a moeda má pela moeda boa – e tendo-lhe a «previdência» feito a vontade – era a moeda preconizada, a que foi encontrar quando foi eleito presidente da república? E como conviveu e convive com ela?
Ao primeiro não perguntaria nada, porque, como é apanágio dos militares, cumpriu – em tempos difíceis - com galhardia e sem se prestar a «comédias», a missão a que se propôs e que lhe foi confiada.
Aparecer-nos-ão agora «manhosos e piedosos» apelos a consensos, que mais não seriam do que a tal suspensão da democracia por tempo indeterminado, e cujo alvitre, tanto criticaram.
Foi sob o olhar compassivo de alguns destes expresidentes, que tivemos de conviver com o exercício de deputados, referidos como envolvidos em escândalos de pedofilia, como no caso «Farfalha» ou Casa Pia, ou fraudes como CGD dos Açores. E isto porque enquanto uns os referem, outros, subjectivamente os presumem inocentes.
O povo sim, deve sentir-se envergonhado de ser representado por algumas destas figuras que, descaradamente lhe são «impostas» pelos partidos, e que estes enchem de honrarias, protecção e prebendas.
Sempre achei que a figura de deputado, devia ser uma figura impoluta. Porém não é assim, e temos de conviver com isso, o que se torna uma tragédia.
Por isso também, sempre defendi e defendo – como Alexandre Soares Santos – que para se ser candidato a deputado, devia ser obrigatória a apresentação de currículo.
E, voltando à «vaca fria», quem não se lembra de também alguns dos expresidentes, numa atitude de puro indigenato vaidoso, irem exibir a família à televisão, em programas de Herman José ou outros?...
Amanhã mostrar-se-nos-ão as vidas das «primeiras damas», quais «padeiras de Aljubarrota», em livro de Alberta Marques Fernandes.
Que hão de ter de diferente estas ilustres senhoras, das outras 6 milhões de indígenas? Ou será isto uma necessidade de a Alberta preencher a vacatura do Carlos Castro?
E porque será, que todas se prestam a esta exibição publicista? Talvez, por arrogantemente pensarem que devem servir de modelo às outras portuguesas.
É ainda para satisfação das suas vaidades pessoais, que estas criaturas presidem a tudo quanto é coisa.
O que me parece que poderia ser verdadeiramente importante, era saber em que medida, a existência destas figuras que nos foram eleitoral, democrática, e talvez até acidentalmente «impostas», contribuíram para a melhoria ou pioria das condições de vida do restante indigenato português. Sim, porque era a isso que era suposto proporem-se.
vanitas vanitatum et omnia vanitas! Em grande parte, é este auto culto da personalidade, que nos perde, enquanto povo.
É este o mundo e o tempo político que preenche os nossos dias, e é nestas personalidades, que eu só vislumbro a figura dos «marretas».
Enfim, temos uma «democracia» carregada de vícios incorrigíveis, e é necessário que a juventude tome conta disto, e sob outra perspectiva.

Zé Macário
19/04/2011

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