sábado, 9 de abril de 2011

Urge Mudar II

Embora a juventude seja caracterizada pelo viço da sua energia, vontade de inovação, determinação, irreverência, generosidade e, acima de tudo, grande vontade de mudar o mundo, tem sido porém em todos os tempos, objecto de conflitos de gerações.
As desilusões que as pessoas vão tendo ao longo da vida, tornam-nas descrentes e cépticas, e vão ficando imunes às decepções, ou seja, já não se iludem, por medo dos logros.
As camadas mais velhas, têm normalmente dificuldade em aceitar os jovens e os caprichos próprias da sua idade, e os jovens têm dificuldade em vencer as resistências dos mais velhos.
A juventude actual é todavia a mais bem aceite de todos os tempos, e até a mais solicitada, para que tome em mãos o governo e o destino da sociedade.
No entanto, os jovens do nosso tempo – muito mais bem preparados a nível de estudos superiores, e não direi tanto em cultura geral  -  deixaram que o fragor da sua mocidade, fosse «propositadamente» alienado e encurralado na «cultura» das discotecas e afins, tendo-se tornado «abúlica», em tudo mais que à vida concerne.
Parece porém, ter acordado agora de algum estertor, o que é motivo de regozijo para a gente mais madura.
Para que possa tomar conta, com êxito, do destino da sociedade, esta mocidade precisa saber que é necessário implantar uma nova ordem de regime e de participação democrática, absolutamente alheia à que tem sido seguida pelos partidos que ainda nos «representam».
Como se verificou nesta última manifestação da nossa juventude, os jovens têm hoje uma facilidade de convocação mútua, que nunca antes existira.
Portanto, que acordem, que passem a palavra, que se convoquem, que formem as suas próprias estruturas e que tomem a liderança político-social em mãos! Isto não vai lá com simples manifestações, por mais numerosas e representativas que sejam.
Temos a representar-nos, o pior lote de políticos de que tenho memória, inteiramente preocupados em olhar para o seu umbigo, incapazes de aprender, e absolutamente surdos às manifestações de descontentamento do povo.
Portanto, jovens, se querem alguma coisa, façam alguma coisa!...
Quem anda à espera de sapatos de defunto, anda toda a vida descalço.
Sem o estabelecimento de uma nova ordem, as eleições que se seguem, e todas as outras que se lhe hão de seguir, nada resolverão, por causa da péssima qualidade desses políticos que temos como deputados, e dos vícios e condicionamentos mentais, de que enfermam. Em regra geral, eles são extremamente loquazes, mas ainda mais mentirosos, limitados e incompetentes! 
O povo, para eles, é simplesmente um trampolim, com o qual se guindam ao seu próprio cocuruto, onde passam a viver, numa espécie de ninho de cucos.
Como hão de sentir-se os homens ainda vivos, que na sua juventude, puseram generosamente a própria vida ao serviço da sua pátria, perante a balbúrdia que enfrentamos e a miséria a que chegámos?
Como se sentirão os velhos, jovens capitães de Abril?
No meu cepticismo, acredito que se os jovens viessem agora a ser poder, se tornariam ao fim de alguns anos de exercício, iguais aos que agora expulsavam da «gamela», mas entretanto, já muita coisa teria mudado, e de forma irreversível.
E se é verdade que uma boa dose de cepticismo é positiva, não podemos deixar que ele nos estorve a acção.
Força, juventude!...

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