Eram três ou quatro, estas enfermeiras pára-quedistas com patentes de oficiais ou sargentos, em exercício na Guiné, pelos anos de 1967 / 68.
Eram todas solteiras estas heróicas jovens, que ofereciam a vida e se «imolavam» ao serviço da pátria e dos militares em combate.
Em situações de tragédia e oferecendo muitas vezes o seu corpo às balas, prodigalizavam-nos consolo, calma, lenitivo para a dor, suturavam-nos, estancavam-nos hemorragias, administravam-nos os soros salvadores, reanimavam-nos, restauravam-nos a respiração, acompanhavam-nos ao hospital… Valentes mulheres aquelas!...
Nos momentos de maior tragédia, chamávamos por estes anjos salvadores e esperávamos ansiosos que descessem do céu, saíssem das suas naves, e nos socorressem, onde quer que estivéssemos.
Nunca chegavam tão depressa como o exigia a situação; e a espera era sempre desesperante.
Não obstante a sua dedicação e eficiência, tantas vezes no nosso desespero, as tratávamos mal, por não poderem corresponder em tempo, às urgências das nossas situações.
Queríamos, e queremos-lhe bem ainda hoje. Queríamos-lhe como pessoas de família e como nossos verdadeiros anjos salvadores, mas não deixávamos de proferir contra elas, todo o género de impropérios e «blasfémias», porque nessa altura não falava a voz da razão, mas tão-somente a voz da aflição.
Estabelecer com elas comunicação via rádio, era sempre um problema, pois os aparelhos de rádio parece que funcionavam a carvão.
Comunicar-lhes exactamente as nossas posições, era outro problema…
E os minutos – que pareciam horas – passavam, e a aflição para salvar os feridos, crescia, crescia…
Voltavam os impropérios, como se eles pudessem acelerar a marcha dos acontecimentos.
Quando finalmente chegavam, tudo era esquecido, para concentrar os sentidos no socorro aos feridos.
Elas ficavam com o sentimento de missão cumprida, e nós com um enorme sentimento de gratidão.
Às nossas queridas enfermeiras pára-quedistas vivas, em meu nome, e penso que em nome de todos os militares desse tempo da Guiné, agradecemos terna e eternamente o desvelo que protagonizastes.
BEM HAJAM, HEROÍNAS!
Zé Macário
30/06/11
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