terça-feira, 14 de junho de 2011

Ilusionismo II

Após a queda do velho regime em 25 de Abril de 1974, provocada pelos filhos dos senhores que durante muitos anos mamaram na «vaca sagrada» (leia-se, regime da velha senhora), com a vilipendiosa expatriação dos vencidos, imediatamente se revelaram muitos outros dos ingratos filhos desses mamões, como candidatos a mamões de um outro regime, (o actual) que eles próprios – e à sua maneira - iriam implantar.
Para terem apoio popular nas suas pretensões, apresentaram-se como mestres na arte da ilusão. Entre essas criaturas, encontravam-se os vanguardistas do recém-formado «PS».
Dos seus primeiros discursos, retenho as ferozes críticas à pesada máquina administrativa do estado, e ao facto de este, ter deixado tantos portugueses emigrar, para irem criar para estrangeiros, a riqueza que aqui deviam gerar para nós; ou ainda à velha frase salazarista do «orgulhosamente sós».
Entronizados estes senhores, a máquina administrativa que criticavam, foi sempre aumentando de «peso» …
Aumentou a emigração das pessoas mais qualificadas…
Por três vezes, com eles na chefia do estado, recorremos aos «favores» do FMI, ou seja, passámos de «orgulhosamente» sós, para «vergonhosamente» hipotecados.
Mestria na arte do ilusionismo é a génese deste «PS».
O povo é no entanto o grande culpado destes fracassos, porque devendo já conhecer bem a índole daquele «partido», ainda tenta verificar de vez em quando – pelo voto - se já nele se alterou a hereditariedade.
Realce-se porém que de entre todos os governos «PS», os piores foram os pantanosos dos «guterristas» e os quiméricos dos «socratistas» (não confundir – por perigo de ofensa – com socráticos).
O povo, iludido, jubilou com a queda de um regime (o salazarista) de que se saturara ao fim de quase cinquenta anos…
Agora porém rejubilou com a queda de um governo de que se saturara em apenas seis.
Lamenta-se que este povo tenha de mergulhar na fossa para reconhecer os seus erros, mas lamenta-se muito mais -  por ser burrice absoluta -  cair tantas vezes no mesmo buraco.
Ou será fadário português a susceptibilidade de cair reiteradamente no conto do vigário?
No estertor da morte, o regime salazarista deixou-nos os cofres cheios de dinheiro, que ainda prodigalizámos ao longo de mais alguns anos…
 O «socratismo» deixou-nos depenados e desonrosamente hipotecados.
Os consulados «PS» traduziram-se num: olho vê, pé vai, e mão pilha, em que o serviço à pátria constou simplesmente da usurpação espartana, em proveito próprio, dos recursos de toda a comunidade.
Não deve inferir-se daqui que o autor deste desabafo é um salazarista inveterado.
Não, não é. Muito pelo contrário.
Sente porém um tremendo desgosto, por estes vendedores de ilusões terem tratado Portugal tão ignominiosamente, e pela certeza de que os vampiros voltarão, insaciavelmente vorazes e já metamorfoseados em necrófagos, para tragarem o cadáver que agora deixaram exangue e moribundo.
E porque hoje é dia de Camões, permitam-me invocá-lo:
-Ele ainda hoje diria: Esta é a ditosa pátria minha amada.
Envergonhar-se-ia porém de dizer, e não diria mesmo: Ditosa pátria que tais filhos tem.


Zé Macário
10/06/2011

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