sábado, 4 de junho de 2011

Perfídia


Em tempos idos, a prostituição era talvez o labéu de maior perfídia dentro de uma família. E por isso a família renegava naturalmente os seus elementos atingidos por este fenómeno, para não sujeitar os restantes ao convívio vitalício com uma imagem socialmente degradante.
É dever de cada elemento da família enobrecê-la e honrá-la, porque ela tem o direito e o dever de viver com orgulho e o respeito recíproco de todos os seus membros. Pelo que não tem que manter no seu seio, elementos que ostensiva e reiteradamente a desonrem.
E isto parece-me válido para qualquer tipo de família, incluindo a «família» política, ou seja, o partido.
À falta de melhor definição, a prostituição é o despojamento de valores morais, e consequentemente da dignidade humana, a troco de outros «bens».
Não sei se cabem nesta definição as atitudes de algumas personagens quase «mitificadas» de partidos, como por exemplo, a de um senhor fundador do CDS que fez campanha pelo PS, em cujo governo veio aliás, a ser nomeado ministro. Ou ainda a atitude de um outro fundador do mesmo partido – que fora nomeado para dirigir a  Agência para o Investimento -  ter aparecido agora a fazer campanha pelo mesmo PS.
Ou ainda a de um outro senhor que há menos de quatro anos quase incitava a uma revolta popular contra o primeiro ministro - como aliás já fizera noutra ocasião, contra outro primeiro ministro - e que agora aparece a apelar ao voto na pessoa que queria derrubada, com o argumento de que ela, é a única com experiência governativa.
Será só por trinta dinheiros que estas figuras traem aquilo que dizem ser os seus princípios, desonrando ou deslustrando a família que fundaram, ou de onde são oriundos?
Repito: Ninguém tem o direito – ainda que a troco de qualquer prebenda – de enxovalhar o nome de família.
E vejam lá a veleidade ou a arrogância de se pensarem tão importantes, que despertem mesmo assim em alguém, a vontade de os seguir ou de lhes seguir o exemplo!
O que mais custa porém, é ver este tipo de comportamentos em figuras «mitificadas» da sociedade portuguesa. Parece-me só comparável à ideia de ver num comício, uma prostituta a apelar à prostituição de todas as mulheres, como forma mais digna de viver.
Não, já não me impressiona que vendam a alma ao «diabo», o que ainda me espanta, é que – por causa exclusiva das suas benesses - tentem vender ao «diabo» a alma dos outros. Lamento também, e muito, que a essas personagens «mitificadas», o povo, e até a imprensa, quase tudo desculpem.
 Aplaudi veementemente a atitude do CDS de retirar a fotografia de um dos seus fundadores, da galeria das fotos dos seus dirigentes.
Da mesma forma aplaudi Marques Mendes, por não aceitar os corruptos como dirigentes de qualquer coisa em nome do seu partido. Sim, isto é que é não pactuar com a imundície, e não mandar os princípios às urtigas.
Claro que aquelas atitudes, são acções que a moral censura, mas que a retórica – pela sua própria natureza – pode facilmente desculpar. Mas não sejamos parvos…
Ética é ética e retórica é retórica!
Temos o dever de demonstrar activo repúdio por este tipo de comportamentos, ou então continuamos acaminhar todos para o monte do lixo.  

Zé Macário
03/06/11

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