Os telejornais dos últimos dias, apresentaram alguns pequenos trechos dos discursos de alguns congressistas do PS.
Devo dizer que logo que me apareceram, desliguei quase imediatamente o televisor, enojado de tanta vacuidade, mas não sem reparar nos comportamentos de muitos sequazes que, coleirados cor de rosa, a tudo se prestavam a bater palmas.
Ovacionavam com estrondo as palavras ou frases de cada orador, antes de elas formarem qualquer nexo.
Destaco a título de exemplo, os aplausos de pé, à seguinte tirada, empolgada, de M Alegre:
- Esta é a hora de falar verdade e sem demagogia aos portugueses.
Este - digo eu – é o meu lamento por ao longo de toda uma carreira política, nunca se terem encontrado outras horas de falar verdade e sem demagogia aos portugueses
Porém, este, é também, só um dos muitos exemplos que poderíamos dar, da completa vacuidade dos discursos, mas também da alienação da plateia.
Parece-me mesmo que o objectivo de toda a encenação destes congressos, é a alienação colectiva.
Estes demagogos são extremamente loquazes, mas a sua loquacidade consiste só na capacidade de falar, falar, falar e não dizer, e isto, na melhor das hipóteses, porque na pior, quando dizem, ou entra mosca ou sai asneira.
Bem, é bem verdade que, para se ser político, não é necessário ter frequentado qualquer escola, e muito menos qualquer curso de teor político, filosófico, ou sociológico, porém, mesmo assim, devíamos exigir-lhes mais – tanto mais que, a muitos, até pagamos a «peso de oiro», sendo eles aliás que estabelecem o seu próprio ordenado.
Não só todos os símbolos e rituais convergem para a alienação dos circunstantes, mas também os gestos, palavras e as entoações discursivas, estimulam a alucinação.
Todos os signos são estudados para produzir um determinado efeito, e produzem mesmo, isto é, vivemos sempre sob o manto da mentira.
Mas será gratuita e totalmente inocente esta alienação? Não, não é.
Se os cães de guarda ao rebanho, conduzem inexoravelmente os cordeiros para a boca do lobo, em vez de os encarreirarem para o aprisco do pastor, é porque os cães esperam que, das lautas refeições do lobo, sobrem para si (cães) alguns ossitos, mais ou menos suculentos.
Não sei no entanto se estarei a perverter as imagens, porque o que a minha imaginação vê quando observo estes fenómenos, não são lobos, mas sim tubarões esfomeados, transportando rémoras.
E senão veja-se, quantos desses pretensos alienados, já comem ou esperam comer à manjedoura do Estado. Repare-se como andam nédios, tantos deles!...
Não sei mesmo, se será só disto que falam, quando amedrontam e se amedrontam com a extinção do estado social.
Acredito que toda esta «tristeza» não seja só apanágio do PS, mas antes, comum a todos os partidos, o que mais me entristece ainda.
Se porém agora me refiro a este partido, é porque foi este, que me provocou a náusea mais recente.
Repito o que já venho dizendo há algum tempo:
- É urgente inventar uma nova ordem, rejuvenescer, e regenerar a prática política. È necessário que os lideres sejam reconhecidos – e seguidos, conscientemente – pelas suas virtudes, qualidades e valores intrínsecos, e que se acabe com a promoção e entronização do ridículo e da mentira.
Parabéns Zé.
ResponderEliminarAté poderia ser Zezinho, como tanto gostavas que em pequeno te tivessem chamado, mas só ZÉ fica melhor, cá para mim.
Os meus parabéns por este teu blogue. Penso que fizeste muito bem em teres criado este espaço e ao mesmo tempo partilhares com toda gente estes teus escritos. Seria uma pena que todos estes textos não fossem tornados públicos.
A tua vela mágica é exemplar.
Poderias começar por divulgar mais o blogue. Eu descobri por acaso, mas ficarei desde já seguidor do mesmo.
Um abraço e muitos parabéns.
Jorge Venâncio.
Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
ResponderEliminarAntes de mais,muito obrigada por nos proporcionar bocadinhos de prazer literários, é sempre bom aprender com os que mais sabem.
ResponderEliminarPenso ainda não o ter dito,parabéns, é um homem que escreve direito por linhas tortas.
É urgente inventar uma nova ordem, rejuvenescer, e regenerar a prática política. È necessário que os lideres sejam reconhecidos – e seguidos, conscientemente – pelas suas virtudes, qualidades e valores intrínsecos, e que se acabe com a promoção e entronização do ridículo e da mentira.
Gostaria aqui de enfatizar este pequeno excerto,pois é realmente urgente haver uma política que diga a verdde, que seja dura mas que seja sincera. Que saiba governar, (QUE NÃO META O NARIZ ONDE NÃO É CHAMADA).
Hoje insultamos, amanha batemos palmas de alegria por quê? Porque somos o povo ignorante ou será porque somos um povo de graxistas, (factor C). É preciso parar para pensar no futuro de amanha, e não cometer os erros de ontem.
Cumprimentos