Amei-te, terra!
Possui-te, cultivei-te, fertilizei-te, nutri-te, fiz-te desabrochar em flor primaveril…
Durante décadas, fremente de desejo, possuíste-me, amaste-me com avidez, deixaste que te lavrasse, semeasse, mondasse…
Devolveste-me em frutos – e que frutos! – a semente que em ti depositei.
Como foi doce o divertimento de te ocupar, semear, e sentir-me possuído e amado por ti, terra!
Gozaste-me como bem primordial …
Gozei-te como bem primordial…
Foste verdadeiramente companheira, mulher, esposa, mãe….
Quisemos fundir-nos e isso aconteceu, e foi tão forte essa mútua fusão, que perdemos conscientemente a nossa identidade individual, e demos origem a outras identidades. Fomos criadores, e foi na criação que atingimos o cume da escada da felicidade, até porque, é no acto de criar, que o homem se sente comungar com Deus.
E como só reflectida nos frutos, a vida atinge o seu mais sublime sentido, é nos frutos que me deste, que me revejo, para que o ciclo continue e sempre se renove.
Só como poeta quisera cantar-te, mas tão alto não me eleva o engenho e a arte.
Zé Macário
22/03/2011
Mas que terra esta, hein!? Produtiva e bem produtiva, claro.
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