À posteriori, bem podem os alemães dizerem-se envergonhados do nazismo.
À posteriori, bem podem os russos repudiar o exercício de Estaline.
À posteriori, bem podem os italianos envergonhar-se do fascismo de Mossulini.
Em tempo próprio, os autos de fé em Portugal, eram grandes festividades, anunciadas por arautos, e frequentadas pelo povo, que aliás aplaudia.
Em tempo próprio, os alemães orgulharam-se de Hitler e apoiaram-no.
Em tempo próprio, os russos apoiaram e aplaudiram Estaline.
Em tempo próprio, os italianos ovacionaram Mossulini.
Ainda em tempo próprio, os portugueses reviram-se na liderança de Salazar, e até os militares – incluindo os heróis de Abril – foram sustentáculo do seu regime.
À posteriori, as gerações vindouras hão de nos amaldiçoar e apelidar de ridículos, pelo apoio que damos ao regime vigente.
Os regimes só se aguentam com a simpatia e apoio popular, e o Estado Novo não foi excepção. Aguentou-se 48 anos, apoiado numa população farta das guerrilhas e miséria provocadas pela bandalheira da república.
Os livros de história editados no pós 25 de Abril, omitem propositadamente as vítimas da indisciplina e balbúrdia em que navegava Portugal antes da implantação do Estado Novo.
Diabolizam excessivamente o peso da ditadura Salazarista, que aliás terá produzido muito menos vítimas do que o regime republicano que a antecedeu.
Fazem crer que o golpe do 25 de Abril foi contra a ditadura salazarista, quando afinal o ditador já tinha morrido há cinco anos, e a vida política em Portugal sob a batuta de Marcelo Caetano, decorria agora em condições de liberdade, nunca mais vistas no pós Abril.
E isto são só alguns exemplos de como foi deformado o ensino da história, com a pura intenção de os novos senhores conquistarem a simpatia popular.
É aliás vulgar em datas comemorativas, destacarem para as escolas uns tantos palermas, para fazerem a propaganda apologética do pós 25 de Abril, enquanto diabolizam até ao tutano, o regime anterior.
Falaram-nos e falam-nos das amplas liberdades que por sua mediação nos foram restituídas; Cá por mim não lhes devo esse tipo de favores, porque eu já era livre há muitos anos, muito antes de eles por aí aparecerem a vender banha da cobra.
Além do mais, o que eu vejo na sociedade portuguesa, é medo estampado em muitos rostos. E por outro lado, se ainda conservam alguma liberdade, é porque esses senhores não têm machados suficientemente afiados para cortar a raiz do pensamento.
Para nos afirmar a bondade do 25 de Abril, ouvi há dias, um «senhor televisão» comparar a melhoria das condições da vida de hoje, com as que tínhamos antes. Fingiu ignorar que entretanto já se passaram 37 anos, e que também o antigo regime não teria passado estes 37 anos estagnado.
A isto chama-se deturpação da realidade e desonestidade intelectual.
E infelizmente é esta história propagandística, que conhece a maior parte dos portugueses, com menos de 45 anos.
Não me vou entregar neste artigo à análise dos malefícios que nos trouxe a súcia que nos tem governado, e que vós bem tendes o dever de conhecer, até porque se têm processado à vista de toda a gente.
Relembro no entanto as ocupações selvagens do alheio, a distribuição do dinheiro vindo da Europa, o que foi a formação profissional, o congelamento nas rendas para a habitação, a distribuição dos fundos aos agricultores para não produzirem, o abate dos barcos na nossa marinha de pesca, eu sei lá…
Isto teve consequências tremendamente funestas na economia portuguesa,
E quero lembrar que enquanto isto decorria, o povo «beneficiário» das pequenas sobras do «bolo», aplaudia. Lembram-se? Foi um forróbódó!
Minha gente, temos eleições à porta, mudem de comportamento!
Como é evidente, comer todos querem, desde que sejam outros a pagar a factura.
Quando eles dizem que o povo, na sua infinita sabedoria sabe o que faz, não estão a dizer o que sentem, mas antes a dizer o que pensam ser politicamente correcto.
Aliás se o povo soubesse o que fazer, não era necessário nem possível, contaminá-lo com os comícios das campanhas eleitorais.
Então juventude, está tudo nas vossas mãos!...
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