sexta-feira, 18 de março de 2011

Lembranças III




Continuo a contar histórias de 1967 na Guiné Portuguesa.
Seramante era o apelido de um camarada do Barreiro, casado, em serviço connosco naquela altura, no Olossato.
Tinha marcado férias para a metrópole, quando contraiu uma grave doença venérea que lhe deixara a «colher de mexer o estrugido» torcida e mais volumosa.
Denunciado pelos colegas ao enfermeiro, este foi-lhe administrando grandes dozes de terramicina; e não estando porém ainda totalmente recuperado, chegou o dia em que partiu para cá, ver a mulher.
Regressado um mês depois ao Olossato, não tinha ainda passado uma semana quando, numa visita que o médico fez – com mais três graduados, entre os quais me encontrava – à Tabanca, para verificar as condições de salubridade desta, encontramos o Seramante de pé, calças caídas, macheando contra uma tabanca, uma bela bajuda preta acastanhada.
O médico gritou-lhe: oh Seramante, vê lá se cais ou partes pelos rins!
Seramante que, com certeza, atingira já o ponto de rebuçado, responde: não caio não, não caio não, que eu seguro-me; e sem se distrair lá acabou o trabalho, porque trabalho é trabalho e conhaque é conhaque.


Em Sta Iria de Azóia  6 / 11 / 2010


Zé Macário

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