sexta-feira, 18 de março de 2011

Pressa de Esquecer




Haverá talvez cento e vinte anos – data que peço seja confirmada em registos da paróquia ou junto da capela da Matancinha – fora pároco de Penude, um tal padre Justino – para muitos, de saudosa memória – ao que julgo, filho da mesma freguesia, do lugar do Serradinho.
Terá sido este senhor que mobilizou as forças locais do tempo, para a construção da capela da Matancinha – dita de Sta Cruz e construída em forma de cruz, pela devoção deste padre à cruz de Cristo,
A pedra com que se construiu esta capela, terá sido cortada, segundo os métodos desse tempo, nas Apertadinhas, perto de Parafita; e fora transportada pelos caminhos da época em carros de bois que, no seu percurso, passaram pela ponte de Reconcos e Magueija, a caminho da Matancinha.
Segundo alguns relatos que ainda ouvi, estes trabalhos (todos voluntários) terão decorrido sempre em ambiente de grande festa, como os cortejos de oferendas que anualmente se faziam para a sede da freguesia.
No local do corte da pedra, mandou o padre Justino edificar com a mesma pedra, um cruzeiro comemorativo, que ainda hoje lá está.
A construção da IP3 passou-lhe ao lado, de raspão, deixando-o intacto com as suas inscrições já ilegíveis, mas atestando no tempo o valor das lideranças e da unificação dos homens em acções de boa vontade.
A edificação deste cruzeiro, tal como da capela, foi uma obra para marcar a posteridade…
Porém, quantos penudenses conhecem a existência deste monumento?
O senhor presidente da junta de freguesia de Penude, já lhe mandou limpar as inscrições?
E o pároco de Penude sabe da existência deste legado?
Porque assim teria sido votado ao esquecimento? Somos realmente de um tempo com pressa de esquecer.
É inadmissível o desconhecimento, pois o caminho até lá, está todo alcatroado.
Sugiro aos lideres penudenses, a organização de uma romaria a pé até lá, para memória futura, e para percebermos o quanto teria custado aos nossos avós o transporte daquela pedra, que, ao que me consta, partira pelo caminho, muitos eixos de carros até chegar ao destino.
 Seremos minimamente dignos de herança que as gentes desses tempos nos legaram?
Respeitemos pelo menos a sua memória!...


Zé Macário
02/01/2011

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