sexta-feira, 18 de março de 2011

A Parábola




Em certa altura da sua vida, e numa severa crítica à avareza, disse Jesus Cristo aos seus discípulos:
É mais fácil entrar um camelo num buraco de uma agulha do que um rico no reino do céu.
Nunca ao longo de vinte e tal anos tinha compreendido a utilização da figura do camelo, naquela asserção.
Embora percebesse o sentido e o exagero da alegoria, não conseguia perceber a lógica da utilização da figura daquele animal. Porque não utilizar a figura de um elefante, de um hipopótamo ou de um rinoceronte?
E que ideia maluca de querer enfiá-lo no buraco de uma agulha? E para quê?
Só aos 25 anos, com a aprendizagem de vários termos técnicos de marinhagem, vim a saber que um camelo é afinal a corda mais grossa de um navio e que serve para amarração deste, à muralha do cais onde atraca.
Disse corda mais grossa, porém disse mal, pois a esta corda como a todas as outras num navio, se chama cabo, à excepção de meio metro, preso ao badalo da sineta na proa do convés.
Com a revelação de que uma corda muito grossa é um camelo, fizera-se luz na minha cabeça, e ficara esclarecida a figura do camelo na imagem daquela alegoria.
Sim, agora havia lógica e tudo fazia sentido.
Enfim, o tempo que um homem leva a aprender coisas tão simples!..
Também há pouco tempo, numa visita pascal, o reverendo pároco me ensinou que, Macário, é derivado da palavra grega Macárius e que significa homem de sorte.
No caso do meu pai, o significado correspondia mesmo à verdade, pois ele era um gigante que tinha e espalhava sorte, por onde quer que passasse.
Devia fazer-se-lhe uma estátua, mas não há na Póvoa pedra com tamanho suficiente, para esculpir um gigante daqueles, e com uma alma ainda maior!..

Zé Macário

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