sexta-feira, 18 de março de 2011

Nostalgia



Tenho quase setenta anos e sou neto da Ti Maria Costinha, que vivia em Sucres, junto à eira, ao lado da casa do Ti Zé Augusto Mariano. Esta senhora (ceguinha) era mãe do Ti Macário Costa, da Póvoa, da Ti Maria Costinha, de Sucres, da Ti Ana Costinha, da Pereira, e de mais quatro raparigas— de outro casamento: Clemência, Rosa, Filomena e Emília. Seria assim, avó de mais de duas dúzias de netos.
Vivendo muito pobre, do simples aluguer de um porco da cobrição, era a matriarca de uma família muito conhecida pela sua honradez.
Apesar de terem atingido um número considerável os Costinhas, uns morreram, outros saíram da terra, e hoje, penso, já ninguém os deve conhecer em Sucres.
Estão espalhados pelo país e talvez pelo mundo, e serão operários, médicos, engenheiros, industriais…
Quem lhes pode reconstruir a história? Quem os pode apresentar mutuamente para que se possam ainda reconhecer como descendentes da mesma família—a dos Costinhas?
Quantas vezes, caídos na cama de um hospital, clínica ou outro qualquer sítio, os Costinhas estarão – sem o saberem – a ser atendidos por outros Costinhas, netos ou bisnetos da tal senhora pobre e ceguinha de que vos venho falando.
Sim, perdeu-se ou está a perder-se o rasto deste clã, mas não será este, o reflexo da perda de muitos outros?
É a este esquecimento que tem conduzido a desvalorização da família e dos clãs familiares. É este o motivo da nostalgia reflectido no título deste artigo.
Tal como o Pita de Penude, que ia para S. Pedro aos porcos, tentai – enquanto é tempo – saber quem sois, de onde vindes, e para onde ides.
Até breve.

Em Sta Iria de Azóia       
 Lisboa    15 / 9 / 2010


       José de Oliveira Costa

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